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Para onde caminha a EMEF?

Enquanto os jornais, deste fim de semana, noticiavam isto, no DR saíam duas “consultas abertas”, uma destinada à Prestação de Serviços de Revisão Geral de Bogies das UTE2240, e outra à Prestação de Serviços de Reparação Geral de Bogies Motores de UQE3500, ou seja, a EMEF cada vez tem menos capacidade instalada, independentemente das tretas que o CA e o Governo nos vai contando.

Relembramos que a CP não quis fazer “concurso público” para a manutenção e reparação dos seus comboios, decisão do anterior CA, presidido pelo sr. Queiró, e posteriormente consolidada pelo actual CA, presidido pelo sr. Nogueira.

emefEntronDessa decisão decorre o posicionamento do TdC, se os trabalhos são feitos “in house”, então o que a EMEF faz, fora da CP, não pode ultrapassar os 20% da receita total da Empresa.

A CP ao não querer fazer “concurso público” sabia bem que estava a dar cabo da EMEF, que estava a iniciar um caminho de retorno desordenado e destruidor à casa mãe. Na EMEF o actual Director Geral foi, é, uma espécie de “testa de ferro” desta estratégia empobrecedora.

Só se pode compreender o que está a acontecer à EMEF se se perceber que tudo começou com esta decisão. Esta decisão levava inevitavelmente a uma EMEF mais pequena, que só trabalharia para a CP e que teria obviamente menos trabalhadores …

Esta forma de pensar retardou a compreensão sobre o enorme sarilho que a falta de trabalhadores, sobretudo pela saída de outros para a Reforma, viria a trazer.

Quantas pessoas, com altas responsabilidades, ouvi dizer que, a EMEF, não tinha trabalhadores a menos, tinha era baixa produtividade e muitos quadros pouco competentes!!!

Se juntarmos a isto as festarolas, todos os anos, da apresentação de “lucros”, na ordem de vários milhões de euros, tudo dava certo para esconder a tempestade perfeita que aí vinha.

Quando acordaram já era tarde!

A EMEF começou por perder a reparação e manutenção das locomotivas Siemens para um ACE, imposto pela pressão do governo alemão, no tempo do governo Sócrates.

Agora perdeu toda a vertente das mercadorias (ainda há uns anos atrás fabricava vagões) como resultado do atrás explanado e recorre cada vez mais à prestação de serviços e até a reparação de bogies, a parte mais nobre da actividade oficinal, o verdadeiro core-business da empresa, passará a ser feita, pelo menos parcialmente, fora da empresa.

A manutenção e reparação, em Guifões, do Metro do Porto, será só uma questão de tempo, se tudo se mantiver com está e nada indica que assim não será.

Infelizmente este processo de desmantelamento até conseguiu “convencer” organizações que pensavam que a solução era a reunificação com a CP. Quando tudo se submete à ideologia, o desastre está assegurado.

Dia após dia, a EMEF, vai esvaziando-se de competências.

Não quiseram fazer “concurso público” que permitiria manter a EMEF no mercado, mas agora fazem “consultas abertas”, no valor de vários milhões de euros, para ter uma EMEF amputada e sem qualquer futuro.

Esta gente merece um castigo!

Nota Final

O sr. Nogueira foi à AR dizer que a reparação dos bogies das 2240 já estava negociada com a Alstom, só faltava assinar o contrato. Agora surgem duas “Consultas Abertas”!!!

Quatro perguntas se impõem:

1. Será moralmente lícito à EMEF, quando já não está no mercado, continuar a fazer “consultas abertas” em lugar dos obrigatórios “concursos públicos” impostos pelo CCP?

(relembro que a EMEF estava dispensada e bem de cumprir a parte II do CCP, porque inserida em mercado de concorrência, mas tal já não acontece. Pela via das dúvidas, na reestruturação que teve lugar, até acabou com a sua Direcção Comercial)

2. Será que para consultas com esta especificidade técnica, assim como, os valores envolvidos, mais de 6 milhões de euros, o prazo de 9 dias para respostas, é um prazo credível, ainda, por cima, quando se fica, numa delas, apenas a 9.000€ da necessidade de visto do TdC?

(9 dias não significa que já está tudo preparado e a “consulta aberta” é um proforma para dar a cobertura legal?)

3. Mesmo com esta ligeireza contratual tudo se resolverá a tempo de evitar o colapso das UTE 2240?

(pelos dados que temos é Não!)

4. Quanto é que o erário público vai pagar a mais por estes serviços serem feitos fora da EMEF?

(eu sei que eles sabem que eu sei, que é mais caro)

Francisco Fortunato
ex-Director de Logística da EMEF