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Novo plano estratégico DB : Mais capacidade, mais comboios, mais passageiros e mais mercadorias

Signet_Strong-Rail-DBNo passado dia 19 de Junho, a companhia ferroviária estatal alemã (DB – Deutsche Bahn), lançou um novo plano estratégico chamado “Starke Schiene“, “Strong Rail” em inglês, ou seja “Ferrovia Forte” em português.

Segundo a empresa, a DB está a prosseguir um esforço fundamental para transferir mais tráfego, de passageiros e de mercadorias, para o caminho de ferro. Este esforço destina-se “ao clima, às pessoas, à economia e à Europa”.

O principal objetivo deste plano é duplicar o tráfego de longo curso, para atingir os 260 miliões de passageiros em 2030, e aumentar o tráfego regional e suburbano em 1 mil milhão de passageiros anuais. Em comparação, em 2018 o tráfego de longo curso atingiu 148 miliões de passageiros (+4%) e o tráfego regional/suburbano 1 940 miliões de passageiros (+0.5%).

No transporte ferroviário de mercadorias operado pela DB Cargo, a empresa quer crescer 70%, contribuindo para que a quota de mercado neste segmento passe de 18% para 25%. Para tal, está planeada uma compra de 300 novas locomotivas para esta filial.

Frankfurt-am-Main_DB

Estação de Frankfurt, Alemanha

No geral, para atingir estes objetivos, a DB vai contratar mais de 100 000 novos trabalhadores, aumentar a capacidade da infraestrutura em 30% (em articulação com o governo federal) e expandir a sua frota de material circulante em todos os segmentos. Por exemplo, o transporte de longo curso receberá 120 novos comboios. Além disso, a companhia sublinha que também está a apostar na modernização de mais de 1000 veículos.

Este plano é anunciado na sucessão de um “re-enquadramento” da empresa pelo seu accionista (o Estado Alemão), com vista a focar a DB na sua atividade principal : o transporte ferroviário e a resolver o grave problema de pontualidade no longo curso, entre 75 e 80%.

Efetivamente, nos últimos meses a DB tem sido alvo de duras criticas pelos passageiros, pelo governo e pelas autoridades locais. Estas reclamações estão ligadas à pontualidade insuficiente, falhas na manutenção (sobretudo no produto topo de gama da DB, o ICE), que provocaram WCs avariados entre outros.

O Estado Alemão terá, por consequente, pressionado a administração da empresa para mobilizar todos os recursos na sua principal atividade.

DB_Ambiente_Green

Programa ambiental da DB “This is green”

O Governo federal quer também que a DB contribua aos objetivos ambientais da Alemanha. No seu contrato de coligação, o atual governo, tinha inscrito que o objetivo da DB “não é a maximisação dos lucros, mas sim, a maximisação do transporte ferroviário”.

O que marca também uma reviravolta nos últimos 10 anos. Em 2008, no primeiro governo de Angela Merkel, estava previsto a DB entrar na bolsa com uma privatização parcial, operação posteriormente anulada devido à crise financeira.

Para o sucesso desta, a empresa tinha economizado ao máximo e reduzido os investimentos para apresentar resultados positivos cada vez maiores, o que provocou nos anos seguintes uma degradação do serviço que está agora a ser compensada por avultados investimentos.

A energia para a circulação ferroviária será, a partir de 2038, no lugar de 2050, fornecida exclusivamente por energias renováveis.

A venda da Arriva deriva deste novo contexto porque é uma filial que não está diretamente ligada ao transporte ferroviário alemão e que poderá contribuir ao financiamento deste novo plano estratégico. Já as atividades rodoviárias da DB Cargo, a Schenker, deverão ficar na DB porque permitem complementar as prestações logisticas ferroviária