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Projeto Greenspeed : SNCF propõe fusionar Eurostar e Thalys

Guillaume Pepy

Guillaume Pepy, Presidente da SNCF

A SNCF, empresa pública ferroviária francesa, anunciou publicamente o seu projeto de fusionar a Eurostar e a Thalys, duas empresas detidas na sua maioria pela SNCF, para criar “uma empresa europeia da mobilidade sustentável a Alta Velocidade”.

Este projeto tem como nome “Green Speed”, uma maneira para a operadora ferroviária aproveitar a atual “onda verde” que se observa pela Europa, sobretudo ocidental.

A ideia passa por simplificar e dinamizar a oferta, nomeadamente a que já existe, aos olhos dos potenciais clientes.

Juntando as duas redes, da Eurostar e da Thalys, torna-se possível otimizar os recursos económicos e materiais e permitir um incremento da oferta nas ligações ferroviárias existentes. A médio prazo encontra-se a possibilidade de expandir a oferta a mais cidades europeias.

No que toca a recursos materiais, subentende-se claramente a frota de material circulante, bastante folgada do lado da Eurostar (que recebeu os novos Siemens Velaros E320 esta década) e bastante apertada do lado da Thalys cujas unidades estão, ainda por cima, a passar pela revisão de meia vida.

A fusão permitiria aproveitar a folga da Eurostar para expandir tanto as ligações como as frequências na Europa sem novas aquisições de material.

Se este projeto avançar, as primeiras novidades concretas só deverão acontecer em finais de 2020 ou em 2021.

O projeto encontra-se baseado em 5 objetivos.

Mapa_projeto_greenspeed

Mapa da rede “Greenspeed” fruto da junção da Eurostar com a Thalys (Img : SNCF)

O primeiro é aumentar de maneira significativa o tráfego e a quota de mercado da ferrovia passando de 18,5 milhões de passageiros (Eurostar e Thalys juntas hoje em dia) para 30 milhões de passageiros em 2030. Objetivo complicado devido à quase exclusividade do transporte ferroviário em certas ligações internacionais como Paris/Londres (Eurostar) ou Paris/Bruxellas (Thalys) onde já se registam quotas de mercado superiores a 90%.

O segundo objetivo é ser ambientalmente sustentável. Segundo a SNCF, isto passa pelas energias renováveis para fornecer a energia de tracção, nada de propriamente inovador tendo em conta a posição muito avançada da Deutsche Bahn (DB) nesta matéria.

O terceiro e quarto objetivos são semelhantes e consistem na simplificação da oferta. Isto passa por unificar os tarifários, otimizar os horários para propor aos passageiros correspondências rápidas e “sistemas digitais inovadores” para o passageiro, leia-se aplicações para smartphone.

Por fim, o quinto objetivo soa mais como uma conclusão. A SNCF diz que este projeto de “aliança”, palavra bonita para dizer fusão e aumentar ainda mais a sua presença nos Conselhos de Administração das duas operadoras ferroviárias internacionais, tem como ambição a “excelência” em termos de qualidade de serviço.