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Luta da Braçadeira Preta lembrada no Rossio

As lutas travadas pelos ferroviários em 1969 foram alvo de homenagem e recordação ao inicio da tarde de quinta-feira, 24 de Outubro, na estação do Rossio.

Em 2019 passam 50 anos sobre a “Grande Luta Nacional do Ferroviários” e as organizações sindicais próximas da CGTP, Fectrans e SNTSF, não quiseram deixar em branco esse a iniciativa para melhores condições de trabalho dos ferroviários à época.

Realizou-se hoje na estação do Rossio a sessão evocativa da grande luta dos ferroviários de 1969, que contou com a participação de gerações de trabalhadores, com a representação de organizações sindicais as Comissões de Trabalhadores do sector ferroviário e de Metropolitano de Lisboa, com a Inter-Reformados, com a InterJovem, e com o secretário Geral da CGTP.

Para além da análise sindical sobre a luta de 1969, feita pela direcção do SNTSF e da FECTRANS e a sua projecção na actual luta dos ferroviários no sentido de construir um futuro melhor, houve intervenções diversas de ex. dirigentes sindicais que viveram os tempos dessa luta, nomeadamente Custódio Ferreira e Etelvina Reis que nos traçaram um quadro das relações de trabalho na CP na altura e alguns episódios das lutas desse ano – em particular o luto ferroviário (braçadeira preta) e a greve de uma hora no dia 20 de Outubro.

Tendo em conta o papel informativo das lutas dessa época, silenciadas na comunicação social da altura, interveio nesta sessão o director do Avante, jornal que na clandestinidade teimava em dar voz aos que não tinham voz e que na sua edição de Fevereiro de 1969, trazia em primeira página “30 000 ferroviários contra o governo fascista e a CP”.

Um representante da URAP – União dos Resistentes Antifascistas Portugueses, fez a ligação do período de 1969, regime fascista, com os momentos que hoje se vivem, em que procuram branquear o fascismo e a sua repressão na organização e luta dos trabalhadores.

Da geração mais nova houve também uma intervenção de ferroviário jovem, membro da direcção da FECTRANS e SNTSF, onde assumiu o compromisso de homenagear os homens e mulheres que construíram a luta de 1969, continuando-a no presente.

A sessão foi encerrada pelo secretário-geral da CGTP que fez a ligação dos temas da época de 1969, (lutas que antecederam a fundação da InterSindical, hoje CGTP-IN) e a necessidade continuar a luta no presente para construirmos um futuro que valorize o trabalho e os trabalhadores.

A FECTRANS editou uma brochura sobre as lutas de 1969, que transcreve uma comunicação feita por altura da comemoração dos 40 anos da mesma, da autoria de Carlos Domingos que, na época, sendo militante do PCP na clandestinidade, fez o acompanhamento de todos os aspectos da Grande Luta Nacional dos Ferroviários.

A resiliência dos ferroviários, em clima adverso, não os demoveu de alcançar os objectivo. Melhores condições de trabalho: representatividade sindical, oito horas de trabalho e aumento de 1000$00 no salário, e envolvimento no Acordo de Empresa.

Os ferroviário aderiam e resistiram porque tiveram a noção de que o que pediam era justo, explicou Custódio Ferreira.

O antigo contramestre da oficina de vagões foi um dos ferroviários, juntamente com Etelvina Reis, recuaram no tempo para trazer para o presente memórias desse tempo para o presente.

O luto ferroviário foi um dos momentos na luta dos ferroviários em 1969. A posição por melhores condições de trabalho culminou com a paralisação de uma, entre as 15h00 e as 16h00, de dia 20 de Outubro, em todos os sectores do CP.