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Ferrovia francesa em greve

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Níveis de tráfego previstos para Quinta-feira, 5 de Dezembro de 2019. Na prática houve ainda menos comboios do que previsto. (Img : SNCF)

Começou quinta-feira 5 de Dezembro a greve nacional geral contra a reforma do sistema de pensões que o Governo francês quer aplicar a partir de 2020.

Atualmente, em França existem cerca de 40 regimes de reformas especiais, por exemplo na SNCF o pessoal tripulante reforma-se em média aos 55 anos (a idade geral é 62 anos).

O Governo quer acabar com esses regimes, e criar um universal por pontos. O descontentamento está ligado ao nivelamento por baixo que a reforma do sistema vai criar e ao método de calculo do valor dos pontos, que poderá variar em função de vários indicadores.

Hoje em dia, desconhece-se estes indicadores, mas a maioria das pessoas relaciona com um valor variável em função do “estado” da economia. Ou seja, em anos de crise, esse valor poderá baixar.

Por consequente, os sindicatos e outros movimentos apelaram à greve geral e marcaram cerca de 250 manifestações em todo o país.

Um dos setores mais afetados é, claro, os transportes públicos e sobretudo no modo ferroviário.

Na SNCF, empresa pública ferroviária francesa, a mobilização foi massiva, paralizando quase totalmente a rede ferroviária do país. Circularam no total cerca de 5-10% dos comboios habitualmente programados.

A maior parte das linhas suburbanas de Paris não tiveram qualquer circulação, tal como muitos serviços internacionais TGV.

Nas regiões, o tráfego foi 15% do habitual (contando com os autocarros de substituição, que representam 2/3 desse mesmo tráfego).

Por fim, circularam 1 TGV em 10 e alguns Intercidades em poucas linhas.

A percentagem de grevistas atingiu 55%, na greve de 2018, o máximo tinha sido de 34%. O que quer dizer que uma parte significativa das chefias intermédias e dos quadros superiores também estão em greve, o que é raro.

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Assembleia Geral SNCF na Gare du Nord no dia 5, foi votada a recondução da greve por mais 24h. (Img : jornal Libération)

Na SNCF, mais do que propriamente a reforma do sistema de pensões, o descontentamento provem da reforma, conduzida de forma brusca e rápida em 2018, que o Governo está a implementar na empresa : supressão do estatuto especial do pessoal, abertura à concorrência e transformação da empresa para SA (Sociedade Anónima). O resultado da greve de 2018, que não deu em nada, deixou um sabor amargo para a maioria dos trabalhadores.

Este movimento é de certa forma uma vingança, não só da SNCF, mas também de outros setores que sofreram com as reformas do governo, como a educação ou a saúde. É relativamente cedo para se afirmar tal coisa, mas está-se a assistir a uma convergência de lutas algo inédita.

Os sindicatos reconduziram a greve por mais 24 horas, ou seja para Sexta-feira dia 6 de Dezembro. No entanto, o que se prevê é que a greve dure vários dias ou mesmo semanas. Tal como nos restantes setores da economia francesa.

Além da SNCF, a greve geral também afeta a RATP, empresa pública de transportes de Paris, por consequente, grande parte do metro e das linhas suburbanas geridas por esta empresa estão paradas. Por exemplo, o Metro de Paris as poucas linhas que funcionam são a 1 e a 14, que são automáticas. Outras (poucas) só funcionam em hora de ponta com níveis de serviço muito reduzidos, como intervalos de 30 minutos. A maioria (cerca de 2/3) encontra-se mesmo encerrada.

Se no caso da SNCF a greve estava mais ligada à reforma da empresa, no caso da RATP, o foco de descontentemento prende-se mesmo com a reforma do sistema de pensões. Os sindicatos da RATP decidiram quinta-feira reconduzir a greve até à próxima segunda-feira, dia 9.