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Greve na SNCF, consequências…

A greve nas duas principais empresas de transportes francesas, a SNCF (caminhos de ferro) e RATP (transportes públicos de Paris), parece ter chegado ao fim.

Mesmo se só uma pequena percentagem dos trabalhadores ainda estão no movimento, globalmente o tráfego está normalizado.

Principalmente, depois do Governo ter anunciado que abria a porta a retirar o aumento da idade da reforma do seu projeto de reforma das pensões.

No entanto, o resultado desta greve, pela sua dimensão, 54 dias consecutivos, acaba por ser algo desmotivante. O objetivo principal era forçar o governo a retirar definitivamente o seu projeto de lei, o que não se concretizou. O governo ficou por alguns ajustes, mantendo a base original do projeto.

AG_SNCF_greve_5dezembro2019As intersindicais anunciaram ontem a suspensão do movimento de greve ilimitado, a principal razão, óbvia, era o desgaste financeiro para os trabalhadores. Para muitos, é mais de 1 mês de salário que não foi transferido para a conta bancária.

O que não impede de estarem marcadas mais manifestações, greves e acções mais incisivas, como a invasão (literalmente) do teatro onde Emmanuel Macron e a sua esposa estavam há 2 semanas por grevistas SNCF-RATP. No entanto, agora, pelo menos temporariamente, os sindicatos esperam que sejam outros setores e profissões a continuar o movimento.

Alguns números…

Além disso, já estão disponíveis alguns dados sobre o impacto financeiro e económico desta greve.

A greve terá custado diretamente, entre perda de receita (menos passageiros transportados) e aumento da despesa (indemenizações, revalidações, etc), mais de 850 milhões de euros à SNCF e mais de 250 milhões de euros à RATP.

As consequências também foram significativas na área do transporte de mercadorias. Convém lembrar que a greve afetou não só a Fret SNCF (principal filial de transporte de mercadorias da empresa) mas também o conjunto de operadores ferroviários do transporte de mercadorias porque toda a área da gestão da circulação da SNCF Réseau também estava em greve. O que impediu, literalmente, os comboios de saírem das estações ou das indústrias mesmo tendo maquinista e agente de acompanhamento.

Todo o setor agrícola foi o mais afetado, devido ao facto da natureza das cargas não se adaptar facilmente à oferta do transporte rodoviário. O número de comboios suprimidos atingiu 70%, o que teve consequências gravosas na saúde financeira de muitas empresas e cooperativas.