free web
stats

Linha do Tâmega: 110 Anos de Hesitações e de Incertezas

Por Pedro Pinto

Nota Prévia

Após ter ficado fascinado e deslumbrado pela Linha do Tua, na sequência da icónica e inesquecível viagem em que Eládio Clímaco me deu a conhecer “um dos mais belos percursos dos caminhos-de-ferro portugueses”1, acabei por me dedicar pausadamente à descoberta dos restantes troços ferroviários de via estreita da região do Douro. Apesar de ter já mencionado a Linha do Tâmega num trabalho produzido no 11.º ano, para a disciplina de Geografia A, apenas lhe pude dedicar a atenção que efectivamente merecia na minha tese de mestrado.

Há precisamente 110 anos, em Março de 1909, foi inaugurada a primeira dezena de quilómetros da Linha do Tâmega. Desde então, a história desta ferrovia acabou por ficar associada a persistentes Hesitações. Na verdade, seria necessário aguardar quatro décadas, até Janeiro de 1949, para que a Linha do Tâmega alcançasse a sua extensão máxima, que se cifrava em cerca de meia centena de quilómetros. Todavia, mantendo-se totalmente isolada dos itinerários ferroviários mais próximos, a Linha do Tâmega acabaria por perder perto de três quartos do seu trajecto, quatro décadas depois, em Janeiro de 1990. Resumida ao seu curto troço inicial, a Linha do Tâmega acabaria por encerrar abruptamente, por “motivos de segurança”2, duas décadas mais tarde, em Março de 2009. Ainda que essa supressão tenha sido considerada provisória3, nenhum comboio voltaria a circular ao longo da última década num itinerário ferroviário que poderia facilmente ser inserido no serviço de suburbanos do Porto. Nesse sentido, o futuro da Linha do Tâmega permanece até aos nossos dias recheado de Incertezas.

No âmbito da celebração do 110.º aniversário da Linha do Tâmega, que teve lugar em Março de 2019, decidi revisitar algumas das Hesitações e das Incertezas que desde sempre caracterizaram este troço ferroviário. O artigo que de seguida iremos ler foi adaptado da minha tese de mestrado, intitulada “The Public Choice in the Railway Sector: Case Studies in the Douro Region”. Embarquemos juntos em mais uma viagem pela história dos nossos caminhos-de-ferro!

Texto integra está disponível na revista Bastão Piloto do APAC e pode ser acedido AQUI