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Unboxing das carruagens SOREFAME da SUDEXPRESS (1)

Nestes tempos complicados que vivemos, há uma boa notícia para os modelistas nacionais: surgiram finalmente nas lojas (encerradas mas com expedições para as encomendas on-line), as tão esperadas carruagens SOREFAME há muito prometidas pela Sudexpress Scale Model Trains.

Detalhe das placas UIC e da grelha de ventilação

Detalhe das placas UIC e da grelha de ventilação

Este unboxing é feito em moldes diferentes dos anteriores devido à limitação de não poder usar o layout do CEC-Clube dos Entusiastas do Caminho de Ferro, e também, da impossibilidade da colaboração do Rui Ribeiro para a realização de um vídeo. Tentaremos apresentá-lo assim que estejam reunidas as condições para tal.

Este artigo tem duas partes, uma primeira da responsabilidade do João Augusto, que se debruça sobre os aspectos de qualidade do modelo agora posto à venda, e uma segunda do João Fernandes, que apresenta o procedimento para a instalação do kit de iluminação que ele próprio, através da empresa Electronic Models, desenvolveu especificamente para estes modelos.

Algumas das composições propostas

Algumas das composições propostas

Como noticiado anteriormente, o primeiro conjunto posto à venda compreende três carruagens da série 22-40, salões de 2ª classe, na configuração que apresentavam nos anos 90 e primeira década do século XXI. Nessa época, estas carruagens integravam todo o tipo de composições: Inter-regionais, longo curso, internacionais, enfim, estavam presentes em praticamente todos os comboios e em todas as regiões de Portugal, e não só.

Detalhe do canelado do tejadilho, do arejador e da chaminé do sistema de aquecimento autónomo

Detalhe do canelado do tejadilho, do arejador e da chaminé do sistema de aquecimento autónomo

A primeira boa impressão vem da caixa que transporta as carruagens. É em cartão duro, resistente, com um design cuidado, relembrando o que foi a fábrica onde estas carruagens foram produzidas, através de uma chapa de fabricante e de uma fotografia ampliada do canelado tão característico.

A caixa é de fácil abertura, e de imediato, somos surpreendidos por uma folha da autoria do Eugénio Santos, com desenhos de várias composições que integraram estas carruagens e outras versões que serão comercializadas no futuro. Acompanha também este conjunto, uma outra folha com a explosão das peças que são utilizadas nos modelos, de um lado, e do outro, uma resenha histórica quer da fábrica SOREFAME, quer das séries que compõem estas carruagens, assim como o fundamento das escolhas do fabricante para estes modelos, fechando com uma fotografia muito interessante.

Os degraus de acesso, a placa da tara e o rombo de velocidade

Os degraus de acesso, a placa da tara e o rombo de velocidade

As carruagens vêm protegidas por uma espuma resistente que as envolve completamente. Cada um dos modelos tem ainda uma segunda protecção, através de um filme de plástico que facilita o manuseamento tanto no retirar como no voltar a colocar  no alvéolo que lhe é destinado.

Nesta altura, o coração começa a bater mais forte porque vamos finalmente ter contacto físico e visual com o modelo. E com razões para isso, porque quando olhamos de perto, estamos de facto a ver uma reprodução muito fiel da carruagem real, respeitando o essencial à escala H0 (1:87).

O bugie "flexcoil"

O bugie “flexcoil”

Gosto muito do que vejo, nomeadamente o detalhe do canelado do inox, das janelas, das portas, do bugie, dos degraus, do tejadilho de proporções corretas e dos olhais nos extremos. Nas várias fotos publicadas, podemos ver estes detalhes.

O detalhe do bastidor, sem as peças de detalhe montadas

O detalhe do bastidor, sem as peças de detalhe montadas

Outro ponto forte é a qualidade das marcações de identificação de cada carruagem, quer das placas UIC, quer dos rombos de velocidade ou da chapa da tara. Continuando, as janelas estão muito bem desenhadas respeitando as dimensões e as proporções, assim como a transparência para o interior do modelo, que me levou experimentar figuras no interior e verificar a sua homogeneidade.

Os bastidores também estão muito bem conseguidos. Os óculos dos faróis de fim de composição estão na proporção correcta.

O sistema de elongação NEM, bugie e sistema de freio

O sistema de elongação NEM, bugie e sistema de freio

Passando para a parte inferior do chassis, mantém-se a boa impressão. O sistema de elongação do engate cumpre a norma NEM, o que por si só deverá permitir a passagem em curvas de 360 mm de raio.

Sistema de aquecimento autónomo

Sistema de aquecimento autónomo

O sistema de aquecimento também aparece totalmente reproduzido assim como os dois sistemas de freio. Nesta altura, e após vários minutos de manuseamento, o peso parece-me correcto, nem muito leve nem muito pesado.

Ao tentar abrir a carruagem, é muito agradável verificar que se mantém a simplicidade que já existia nos anteriores modelos da marca, nomeadamente nas locomotivas 2500/2550. Apesar de requerer algum cuidado, a resistência dos materiais pareceu boa, nada de peças partidas, perdidas ou estaladas. Torna-se assim apetecível instalar o kit de iluminação da Eletronic Models. O interior aparece-nos assim sem filtros, e de novo, muito bem detalhado, apesar de precisar de uns retoques a que voltarei num artigo dedicado. O ponto “negativo”, é que as célebres cortinas, à época cor de laranja, não estão representadas. Por outro lado, a colocação de figuras é simples pois cabem facilmente nos assentos, conforme se pode ver na fotografia. Não é preciso proceder a nenhuma “carnificina” para adaptar as figuras às dimensões disponíveis.

O detalhe do interior

O detalhe do interior

Cada carruagem é acompanhada de um saco de peças para detalhar os bastidores, cuja montagem é bem explicada na folha com a explosão das peças. Entre elas, um par de engates standard e lamelas metálicas para toma de corrente a partir dos rodados (NEM) dos bugies.

No pouco que pude experimentar, em pouco mais de 1 metro de linha recta, o rolar é bom. Mas falta a experiência em curvas, nomeadamente nas mais apertadas. Montei nas caixas NEM, engates curtos Roco. A montagem é simples e fácil, não havendo qualquer dificuldade a vencer.

Inserção de figuras no interior

Inserção de figuras no interior

O detalhe da bagageira de volumes de grandes dimensões

O detalhe da bagageira para volumes grandes

Quando engatei as carruagens, diria que a Sudexpress merece 18,5 valores. O valor e meio que retiro é devido ao distanciamento que é possível observar entre os tampões de choque. Uma possível causa é que o sistema de elongação está adaptado aos burelets, que são reproduzidos em posição de descanso e não em posição de trabalho. Mas o resultado não deixa de ser excelente, instando aqui o fabricante a fazer o mesmo para os excelentes vagões que tem produzido, mas em que esta distância é demasiado afastada.

Carruagens engatadas com engate curto da Roco

Carruagens engatadas com engate curto da Roco

Em resumo, a espera “pagou”! Estamos em presença de mais um excelente modelo. Aguardemos pelas prometidas versões de restaurante e de compartimentos, nas suas variantes identificadas nos flyers tornados públicos há um ano. [Parte 2]

Foto de Nuno Magalhães

Foto de Nuno Magalhães

Croquis original da CP

Croquis original da CP