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COVID-19 : SNCF assegura transporte de doentes

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Preparação do TGV medicalizado na Gare de l’Est em Paris. (img: SNCF)

Com o alastrar da pandemia de COVID-19 as diferentes empresas ferroviárias tiveram de se adaptar a esta nova realidade, a Webrails.tv traz-lhe digitalmente todas as análises e novidades da situação seja em Portugal ou no resto do mundo.

Com o alastrar da pandemia de COVID-19, a França começou a registar uma saturação cada vez mais pronunciada dos seus hospitais na região Grand-Est (Lorraine e Alsace). Na semana passada, no inicio a solução foi o transporte aéreo com as Forças Armadas a mobilizarem os seus meios para o fazer, mas progressivamente esta solução revelou-se insuficiente.

Foi então accionado o dispositivo dito “TGV medicalizado”, ou seja concretamente um hospital sobre carris. Este sistema tinha sido concebido e testado pela SNCF e pelas autoridades de saúde da Região de Paris em 2019.

Na verdade trata-se de um TGV totalmente normal com os mesmos interiores do que em serviço comercial, o que permite uma capacidade de resposta extremamente rápida.

Os doentes são transferidos dos hospitais em ambulância até à estação. Depois as macas com os doentes são instaladas por cima dos assentos na horizontal, obviamente com uma série de fixações no caso de haver vibrações importantes. Por fim, no destino repete-se o mesmo procedimento em direcção aos hospitais.

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Interiores do TGV medicalizado após-preparação, ainda em Paris. (img: SNCF)

Cada circulação é assegurada por uma unidade múltipla de TGV Duplex, na primeira seguem os doentes (cerca de 5 por carruagem) e as equipas médicas, na última seguem equipas técnicas da SNCF para intervir imediatamente no caso de haver um problema, nomeadamente no que diz respeito à alimentação eléctrica visto que se tratam de doentes em cuidados intensivos.

A carruagem bar foi organizada de modo a poder servir de local a eventuais intervenções médicas profundas no caso do estado de saúde de um doente se deteriorar.

A condução é assegurada por 2 maquinistas (rendidos a meio do percurso) e por um inspetor de tração. O comboio é chefiado por dois revisores.

A primeira circulação que podemos qualificar de “ensaio” aconteceu na passada quinta-feira, 26 de Março, quatro dias depois do pedido formal das autoridades na segunda-feira, 23 de Março. Foram transportados 20 doentes de Strasbourg e Mulhouse até aos hospitais da região Pays de la Loire (Nantes, Angers, Le Mans, La Roche-sur-Yon).

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Chegada dos doentes a Nantes, no oeste da França. (img: SNCF/Min. Saúde)

Tendo esta circulação sido perfeitamente bem sucedida, a operação repetiu-se no fim de semana seguinte com duas composições que transportaram 36 doentes de Nancy e Mulhouse para a região Nouvelle-Aquitaine (Bordeaux).

Segundo Christophe Fanichet, presidente da SNCF Voyageurs :

“Porque somos uma grande empresa de serviço público, a SNCF mobiliza-se para dar o melhor de si própria e marca presença quando precisamos dela, tantos nos bons momentos como nos períodos difíceis. As equipas SNCF demonstram, mais uma vez, o seu sentido de responsabilidade e a sua capacidade de trabalho em equipa para tornar possível a circulação deste comboio. A elas o meu vivo agredecimento.”