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Assunto: obra de requalificação do Terreiro do Paço e estação Sul e Sueste

Por F.Santos e Silva

Dou conhecimento do email enviado à CML a propósito das obras de requalificação do Terreiro do Paço e da remoção dos aterros sobre o túnel do metropolitano.

 

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V.ref: Pedido nº CML-596577-J3Z5 – Obras municipais CRM:0105870

Exmos Senhores

Dirijo-me a V.Exas na qualidade de ex funcionário do metropolitano de Lisboa que acompanhou as obras de expansão do metro com entrada em serviço de exploração entre 1988 a 2009, incluindo os troços Baixa Chiado-Terreiro do Paço-Santa Apolónia.

Faço-o ainda, num exercício de liberdade de expressão, na qualidade de cidadão insatisfeito com a informação prestada pela CML numa zona sensível, o que motiva a minha intervenção. Não devo deixar de referir que o conteúdo da minha anterior comunicação de 2020-01-17 ficou sem resposta, e que sucessivas observações por parte dos serviços do metropolitano, para correção de aspetos operacionais durante a execução das obras na praça da estação, têm sistematicamente ficado sem seguimento.

Declaro que todas as afirmações nesta mensagem são de minha exclusiva responsabilidade e que não pretendo de modo nenhum contestar ou ser mal interpretado relativamente à probidade e competência técnica dos intervenientes na obra que está a decorrer na zona da estação de metro do Terreiro do Paço.

Em novembro de 2019 a CML divulgou o projeto de requalificação em assunto. Foi divulgado um vídeo em que se afirmava “o aterro entre o cais das colunas e a praça da estação, realizado há mais de duas décadas devido às obras do metro de Lisboa, será finalmente retirado” ao mesmo tempo que toda a imprensa destacava a valorização estética da zona:

https://videos.sapo.pt/fAsuaJ6TSJap7OATgpCe

https://www.dn.pt/cidades/muro-das-namoradeiras-a-reconstrucao-mais-esperada-pelos-lisboetas-video-11558621.html

Em 30 de abril de 2020, o Publico noticiava, na pág.24, que a obra de requalificação “envolve a remoção de aterros existentes sobre o túnel do metro”

https://stream.publico.pt/epaper/Publico-Lisboa-20200430/

No período entre estas duas datas, em 2020-01-17, tive a oportunidade de enviar à CML e ao empreiteiro dos arranjos exteriores junto da estação sul e sueste um email acompanhado de fotos entre o cais da colunas e o paredão da praça da estação mostrando a dimensão significativa do aterro, ou materiais vários que se encontram na vertical do túnel do metro, ou junto da frente ribeirinha junto do cais das colunas. No mesmo email recordava a necessidade de monitorização dos edificios envolventes durante as obras e a teoria da deformação de túneis por descompressão dos terrenos envolventes, indicando a forte probabilidade de a retirada do aterro provocar um alteamento do túnel. Sublinho que não afirmava que não havia monitorização nem que o projeto da obra ignorava os riscos da retirada dos aterros.

cottinelli_01Provavelmente por em Portugal ser considerado prática normal não responder às intervenções cívicas dos cidadãos nem prestar as informações técnicas suficientes para a compreensão dos trabalhos, nem o empreiteiro nem a unidade territorial do centro histórico da CML responderam.

Apenas o próprio metropolitano, a quem tinha enviado cópia, informou que a monitorização do túnel se estava fazendo e que as obras são acompanhadas pelo LNEC.

Perante a maqueta da obra de requalificação divulgada em que o espaço entre o cais das colunas e a frente ribeirinha da praça da estação omite a presença de quaisquer aterros ou sedimentos na vertical ou na envolvente do túnel e apresenta toda a frente ribeirinha em ângulo reto e muralhas verticais sem vestígio de aterros ou materiais rochosos, é legítimo interpretar que a intenção do dono da obra será mesmo proceder à remoção dos aterros existentes.

É também legítimo manifestar preocupação pela ausência de informação técnica que demonstre claramente as medidas previstas para evitar a deformação do túnel. Parece claro que a zona do emboquilhamento poente da estação estará suficientemente consolidada e protegida exteriormente por jet grouting, mas põe-se a questão se o troço de túnel sob o cais das colunas o estará, ou se o projeto atual prevê intervenções de consolidação que evitem deformações. São já visíveis em obra os materiais para as estacas de 1 m de diâmetro que consolidarão os terrenos dos cais do lado poente da estação sul e sueste, mas ignoro se também serão aplicadas estacas adjacentes ao túnel ou jet grouting.

Não se põe em dúvida a competência técnica do empreiteiro, que aliás executou com referências internacionais a construção da estação do Terreiro do Paço e a reabilitação do túnel após o acidente de junho de 2000. Mas reivindica-se a prestação periódica de informações claras sobre o projeto e a sua monitorização, se, definitivamente, está ou não incluído no projeto da obra a remoção de aterros na vertical ou na envolvente do túnel ( e que ações de compensação no 1º caso) , e que ações concretas estão previstas para que a retirada dos materiais na área triangular junto do torreão nascente não provoque a deformação do tunel.

Através desta ligação poderão V.Exas ver fotos que sustentam as afirmações supra:

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2020/05/fotos-da-frente-ribeirinha-do-terreiro.html

Julgando que os cidadãos têm direito a ser informados ao nível técnico, dirijo-me novamente a V.Exas porque essas informações não foram até agora divulgadas pelos canais oficiais.

Com os melhores cumprimentos

Fernando Carvalho Santos e Silva

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Fotos ilustrativas na ligação

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2020/05/fotos-da-frente-ribeirinha-do-terreiro.html