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EMEF na CP

Por: Francisco Fortunato

Alguns dos mais fervorosos defensores da fusão da EMEF na CP estão admirados com as consequências na gestão de stocks. Dizem eles que faltam materiais em armazém e que há trabalho a ir para Espanha. Tanta hipocrisia e tanto lavar de mãos. Nem que fosse para comprar sobressalentes a existência da EMEF já se justificava.

Com a aplicação do CCP e com as regras de controlo orçamental das Finanças, em empresas como a CP, não há milagres, o tempo necessário para a aquisição de materiais aumentou exponencialmente, em relação ao que era necessário na EMEF. Assim ou aumentam o stock das Existências para mais do dobro (estaremos a falar em qualquer coisa entre 35 a 50 milhōes de euros) ou haverá sempre rupturas e necessidades de procurar alternativas para suprir faltas de materiais, de mão de obra, de capacidade instalada, etc etc..

emefCPCom comboios velhos, cada vez mais velho (veja-se a foto) e com materiais obsoletos, inexistentes no mercado, as surpresas desagradáveis são diárias e não há planeamento que resista nem aprovisionamentos que respondam a tudo. Os processos burocráticos de aquisição são de tal ordem morosos que, segundo sei, ainda não conseguiram, desde a fusão, fazer uma única compra significativa de materiais de substituição. Há pedidos de aquisição de materiais na ordem dos 10 milhões de euros. Situação que o Covid-19 tem ajudado a esconder.

Estas consequências eram conhecidas, aliás, boa parte da minha total discordância com a fusão da EMEF na CP residia aí. Diziam os apologistas que o problema se resolvia criando uma excepção para a CP, isentando-a do cumprimento do CCP nas compras de materiais para armazém…houve gente que acreditou que tal era possível, há sempre gente maior que acredita no Pai Natal, como se outras Empresas ou Organismos de Estado não viessem logo a seguir “exigir” o mesmo tratamento…

A fusão da EMEF na CP foi, em minha opinião, um disparate e quem a defendeu que assuma e não ande a fazer comunicados de lavagem de mãos, é feio e o ministro da tutela não merece essa falta de solidariedade do sindicato da CGTP. Lavar as mãos sim, por exemplo, para combater o Covid-19, não para sacudir erros. A fusão tem custos aguentem! “Sol na Eira e Chuva no Nabal” não é possível. Eu posso falar e criticar se quiser, assim como o Jose Correia, mas poucos mais o podem fazer…

Nota
Fui Director de Logística da EMEF durante 9 anos.