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Um vagão Tdgs da Ferro a Fundo: unboxing

Numa altura de “desconfinamento”, aparecem no mercado mais 4 modelos da Ferro a Fundo, um fabricante inicialmente artesanal, que está a dar um novo passo na sua gama de produtos: um vagão tremonha para transporte de cereais das séries Tdgs, com numeração UIC 41 94 074 0 001 a 100 e 41 94 074 1 001 a 200.

Em conjunto, uma composição conforme

Em conjunto, uma composição conforme

Nesta comercialização, podemos encontrar 4 modelos:

Estes vagões foram fabricados em duas fases: a 1ª série  41 94 074 0 001 a 100 em 1973, e a 2ª série 41 94 074 1 001 a 200 em 1977, os primeiros em consórcio e os segundos pela Equimetal. Estes vagões circulam em Portugal e os da segunda série também em Espanha.

Os modelos da Ferro a Fundo, ao contrário dos anteriores, são uma produção industrial, em plástico injectado com numerosas peças em metal, o que significa uma evolução no sentido de se obter um modelo mais perfeito e mais barato, assumpção que se aplica ao presente modelo.

A nova embalagem da Ferro a Fundo

A nova embalagem da Ferro a Fundo

O primeiro impacto é a caixa. Completamente nova e diferente das produções anteriores, em cartão de cor branca com a identificação da marca e logo em cor metálica, os endereços da marca, as especificações CE e os dados do modelo no seu interior. Quando se abre, retiramos do seu interior a embalagem de protecção propriamente dita que envolve o modelo, dupla e em plástico transparente, ao nível do melhor que é feito por outras marcas europeias. Um bom presságio para o conteúdo que vamos encontrar.

Sistema interior de protecção do modelo

Sistema interior de protecção do modelo

Depois de aberta a embalagem de protecção, de manuseamento simples, e pegando no modelo, existe uma forte boa impressão e um peso que nos agrada, nem leve nem pesado, o que indicia um bom desempenho dinâmico. Colocado nos carris, o rolamento é suave e livre, sem qualquer resistência.

Verificando alguns pormenores dimensionais (valor real/valor à escala 1:87/valor medido no modelo) em mm, sendo que algumas dimensões deferiam entre as duas séries, separadas por um “;”, entre a primeira série e a segunda série:

  • Altura ao carril: (3990;4165,5)/(45,86;47,88)/(47,0;47,0)
  • Largura: (3270;3220)/(37,59;37,01)/(37,2;37,2)
  • Comprimento entre tampões de choque: 9640/110,80/110,76
  • Largura entre centros dos tampões de choque: 2000/22,99/23,0
  • Diâmetro de rodados:  1000/11,49/11,5 (NEM)
Porta do depósito fechado e aberto

Porta do depósito fechado e aberto

Pormenores vários: para montar os cabos de freios entre vagões

Pormenores vários: para montar os cabos de freios entre vagões

Verifica-se um respeito global da escala. Relativamente à largura, a diferença entre as duas séries reflecte-se numa diferença de 0,58 mm, praticamente indetectável à escala. Quanto à altura, essa diferença é de cerca de 2 mm, mas os modelos têm todos a mesma altura, um compromisso que não desvaloriza o modelo.

Detalhes metálicos

Detalhes metálicos

Detalhes gerais cuidados

Detalhes gerais cuidados

Quanto às cores das 4 versões, parecem-me correctas, e no caso das versões MEDWAY, estão bem marcadas as diferenças provocadas pelos acrílicos com o logótipo e a designação UIC “P.MED”.

Verificando o nível de detalhe, aproxima-se da excelência: marcações muito boas, correctas, praticamente completas e legíveis, os vários tipos de corrimãos e alavancas são quase todos em metal conferido fineza e resistência ao modelo e não fragilidade, o mesmo se verificado com os degraus de acesso de subida para o chassis, volante de 5 raios curvos “à portuguesa” de proporções correctas e escadas de acesso à passadeira superior, em plástico e de aparência um pouco grossa, mas em consonância com a realidade apesar de ser o pormenor menos agradável no conjunto geral. Uma curiosidade, a porta superior do contentor de carga abre, revelando um interior preenchido, reproduzindo cereal moído. Quanto ao chassis, estruturalmente correcto com todo o equipamento de freio reproduzido.

O afastamento entre os tampões de choque pouco varia entre a utilização de engates standard ou engates curtos Roco

O afastamento entre os tampões de choque pouco varia entre a utilização de engates standard ou engates curtos Roco

O modelo dispõe de cinemática de engate curto com caixa NEM, mas incompreensivelmente, substituídos os engates standard que os modelos trazem montados pelo clássico engate curto “arpão” da Roco, não se ganha nada no realismo de aproximação entre os tampões de choque entre dois modelos, apenas 3 mm, ficando um afastamento entre tampões de 8,5 mm!!!. Um ponto positivo, a sua substituição é simples, não é necessário nenhum esforço suplementar como noutros modelos de outras marcas. Uma possibilidade de correcção, é cortar em 3 mm o comprimento da caixa NEM, para se poder utilizar a referencia Roco 40286, obtendo assim um afastamento de apenas 2,5 mm entre tampões de choque.

Em resumo, uma evolução muito positiva, um modelo português e não uma adaptação, com poucos pontos fracos, mas sendo um topo de gama, como o mercado nacional gosta. Falta agora a produção de mais versões com matriculas UIC distintas, para se poderem reproduzir composições das eras CP e MEDWAY e também uma versão dos primeiros vagões entrados ao serviço em 1973, com o logótipo antigo da CP.

Uma prova do trabalho cuidado do fabricante, as marcações do vagão real vs o vagão da Ferro a Fundo

Uma prova do trabalho cuidado do fabricante, as marcações do vagão real vs o vagão da Ferro a Fundo