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CFL no Jornal de Angola

Comboios no porto para as mercadorias” foi o título do artigo publicado por Vitorino Joaquim no Jornal de Angola  de 31 de maio de 2013, sobre o Caminho de Ferro de Luanda, que abaixo se transcreve.
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img : M. Machangongo

O Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL) deixou de ter capacidade de resposta para garantir o transporte de cada vez mais passageiros. Na maior parte das viagens, as carruagens estão superlotadas. O presidente do conselho da administração, Lobo do Nascimento, reconhece que a procura está a crescer de mês para mês. Nos próximos dias vai ser inaugurado o trajecto entre o Bungo e o Porto de Luanda.

O preço das mercadorias vai descer drasticamente porque diminui o preço do transporte dos contentores para o porto seco de Viana. Até ao próximo ano, o número de viagens diárias vai aumentar de 24 para 30 no percurso suburbano.

A chegada do comboio à estação do Bungo desde o passado mês de Abril, (antes só chegava à Boavista) veio aumentar os passageiros no percurso da linha de Viana, na sua maioria pessoas que trabalham e estudam na Baixa de Luanda no período da manhã.

Em Fevereiro, mês em que o comboio passou a chegar à estação do Bungo, foram transportados 145.­­738 passageiros. Em Março o número subiu para 206.316, e no mês de Abril, com a circulação do comboio no período nocturno, passou para 315.305 passageiros.

A jovem Augusta Damião vive em Viana e trabalha como empregada doméstica no centro de cidade. Para entrar ao serviço às 7h30, apanha o comboio das seis horas, o que a obriga a sair de casa às 5h30m. Mas às 4h30, as estações de Viana, Comarca, Estalagem, Gamek, Frescangol e Musseque concentram grandes quantidades de passageiros. O comboio que faz o trajecto tem entre seis e oito carruagens, e cada uma tem capacidade para cinquenta passageiros sentados e mais de cem de pé.

A reportagem do Jornal de Angola constatou que o comboio viaja abarrotado e quase ninguém respeita o companheiro de viagem. Nem os mais velhos e as crianças são respeitados. “Como existem poucos lugares sentados, todos querem entrar ao mesmo tempo para conseguirem um lugar para se sentarem e viajarem comodamente”, realçou Augusta Damião.

Nem todos os que viajam no primeiro comboio vão trabalhar para a Baixa de Luanda. Há passageiros “especiais” que se aproveitam do excesso de passageiros para fazerem o seu trabalho: “muitos são gatunos. Os passageiros devem sempre estar atentos às carteiras. Nas horas de ponta há sempre amigos do alheio a trabalhar por conta própria”, frisou.

O preço da viagem custa 30 kwanzas mas o grande problema é fazer uma viagem cómoda às horas de ponta. As carruagens metem o dobro ou o triplo dos passageiros. “Apesar dos incómodos, para nós que moramos aqui em Viana, é mais seguro e muito mais rápido viajar de comboio, porque evitamos ser atropeladas pelos candongueiros, que têm mais olho no dinheiro do que na vida humana”, disse.

Vandalismo à solta

Ao longo do trajecto há pessoas que a partir da passagem de nível superior, quando o comboio está a passar, atiram lixo por cima das carruagens. Há até grupos de marginais que se dedicam a atirar pedras. Alguns vidros das carruagens estão partidos e outros rachados devido a esses actos de vandalismo. A polícia, como referiu um maquinista, tem conhecimento desses ataques e os agentes têm feito um intenso trabalho para deter as pessoas que praticam acto de vandalismo: “esta triste situação, muitas das vezes, é praticada por adultos”, precisou o maquinista.

Reconhecimento

O presidente do conselho de administração do Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL), Lobo do Nascimento, reconheceu que o transporte de passageiros nas horas de ponta é feito sem comodidade. Por isso prometeu uma solução urgente. “É um problema, que até certo ponto, transcende a nossa capacidade. A procura do transporte no comboio cresceu consideravelmente com a chegada das composições à estação do Bungo. A verdade é que e ainda não temos capacidade de resposta. O problema é essencialmente este”, referiu. Lobo do Nascimento reconheceu que as reclamações dos passageiros que às horas de ponta viajam sem comodidade são fundamentadas e garante que a situação vai ser definitivamente resolvida com a construção de mais linhas-férreas e o aumento de mais comboios, com sistema automático.

O Executivo, referiu, está atento e preocupado com a situação. Por isso aprovou a duplicação da linha: “com a duplicação da linha prevemos efectuar 70 a 80 viagens por dia, que vão permitir transportar mais passageiros, num sistema que permite um comboio suburbano a subir e outro a descer”.

Actualmente, garantiu Lobo do Nascimento, o CFL realiza 24 viagens por dia no percurso suburbano entre o Bungo, Viana e Catete. A viagem de longo curso, da Estação do Bungo a Malange, é efectuada uma vez por semana, às quartas-feiras e regresso às quintas. O percurso de médio curso, entre o Bungo e o Dondo também é feito uma vez por semana, aos sábados.

Um dos projectos do CFL, anunciou Lobo do Nascimento, é aumentar no primeiro semestre do próximo ano o número de viagens, de 24 para 30 no sistema suburbano. Apesar dos problemas, o CFL faz esforços para cumprir com a sua principal responsabilidade que é garantir o transporte da população. “Isto para mim é um motivo de satisfação”, disse Lobo do Nascimento.

O conselho de administração do CFL tem um plano de desenvolvimento estratégico, já em execução, que visa a formação dos técnicos e a reposição da circulação do comboio nos 424 quilómetros da linha.

Nos próximos dias, o CFL vai inaugurar o trajecto entre o Bungo e o Porto de Luanda. Os trabalhos, informou Lobo do Nascimento, estão a cargo de duas empresa chinesas em parceria com angolanas e já se encontram em fase final. Para verificar e avaliar o estado da linha ferroviária foi realizado um ensaio técnico no percurso.

Apesar do CFL ser uma empresa que desenvolve actividades comerciais ainda não gere lucros suficientes para viver por si só.

“Ainda necessitamos dos programas do Orçamento Geral do Estado para uma boa gestão da empresa”, referiu.

O CFL tem no percurso entre Viana e o Bungo um comboio expresso, cujo preço da passagem é de 200 Kwanzas. Aqui, os passageiros viajam comodamente sentados e podem usufruir do serviço de bar.

Porto de Luanda

A chegada do comboio ao Porto Comercial de Luanda representa um grande ganho para a economia: “o país depende em grande parte das importações. O transporte de um contentor do recinto do Porto de Luanda para o Porto Seco de Viana no comboio vai reduzir os custos e diminuir o fluxo de camiões a circular no centro da cidade”, disse Bernardo da Silva, um operador de grua, que trabalha numa das empresas de transporte de mercadorias.

Bernardo da Silva assegurou à reportagem do Jornal de Angola que o transporte de um contentor do Porto Comercial de Luanda ao Porto Seco de Viana fica por 50 mil Kwanzas, ao passo que ser for feita por comboio o preço é de 10 mil. Isto permite baixar os preços dos produtos aos consumidores. Essa opinião foi corroborada por conerciantes e importadores que na ocasião retiravam contentores de mercadorias do porto.

 

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