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Modelismo Passo a Passo – Alsthom CP 2600

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Produto Final para capa ou assimMesmo com a crescente vaga de modelos disponibilizados pelas empresas nacionais, o modelista Português ainda se depara com algumas dificuldades, nomeadamente no que se refere ao custo das peças no mercado e por outro lado, a inexistência de alguns modelos no leque dos modelos já produzidos.
Assim sendo resta-nos arregaçar as mangas e deitar mão à obra, por via da aquisição e construção com base em kits de resina, ou por ultimo e com um grau de dificuldade muito mais elevado, a elaboração de peças únicas por via do “Scratch Building” ou seja construção de raiz.

Neste artigo vamos fazer uma breve introdução ao modelismo ferroviário de produção artesanal, com base num kit de resina da Arlo-Micromodel que se aplicará a um chassi Marklin, onde mais do que técnicas e dicas se pretende exemplificar os passos base para que o produto final possa reflectir o prazer que proporciona este nosso hobby.

Início da construção

Antes de começar a construção o modelista deve certificar-se dos seguintes aspectos:

  • Preparar a bancada de trabalho
  • Ter à mão as ferramentas base
  • Dispor as várias peças do Kit e estudo prévio das mesmas
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Início da construção

O primeiro passo na construção deste tipo de peças passa pela limpeza e remoção de todas as arestas da carroçaria deixadas durante a sua produção, de modo a que a peça fique com um aspecto cuidado.
Seguidamente e visto que se trata de uma adaptação chassi/carroçaria, deve-se iniciar os trabalhos de adaptação entre ambas as peças tendo como final a perfeita adaptação entre elas, adaptando sempre o chassi (cortando, desbastando, etc.) até que o encaixe seja perfeito, nunca esquecer que se deve testar, testar, testar e por fim voltar a testar tudo.
Finalizada esta parte deve ser iniciado o processo de betumagem da carroçaria, tapando todas as fissuras e erros que possamos encontrar colmatando com lixa fina para uniformizar a peça final.
Por fim é chegada a hora de efectuar a furação de todas as peças que o necessitem de modo a que os detalhes (cabos, corrimões, etc.) possam mais tarde ser colocados.

 

Preparação e Pintura

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Preparação e Pintura

Nesta fase e antes mesmo de darmos início à pintura deverá ser aplicado primário em toda a carroçaria de modo a que as tintas adiram uniformemente. A pintura preferencialmente a aerógrafo deverá de início incidir em todos os relevos e depressões da peça de modo a que no momento da cobertura final os mesmos já se encontrem previamente pintados, reduzindo o risco de falhas por falta de tinta nessas áreas.
Dado que esteja a pintura base terminada (neste caso o laranja) deveremos passar à pintura das cores seguintes (ter sempre em atenção que primeiro são aplicadas as cores mais claras e depois as mais escuras). Para isso deverá ser efectuada “mascara” nos contornos com fita apropriada para modelismo por ser mais flexível e fina que as fitas normais de pintura.


 

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Preparação e Pintura

Quando terminadas as cores base da decoração e decorrido o tempo normal de secagem das tintas, é aconselhada a aplicação de uma 1ª camada de verniz, que consoante o acabamento que o modelista pretende imprimir à peça poderá ser brilhante, mate ou acetinado. No caso das locomotivas o que produzirá o efeito mais real será o acetinado, devendo o mate ser aplicado a vagões de carga. Essa camada fará com que se efectue a selagem das cores já aplicadas e permite continuar a decoração da peça sem correr riscos de danificar a pintura já aplicada.
Neste caso seguiu-se a mascara para pintura de castanho em ambos os cabeçotes da peça.

Detalhes (pinturas)

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Detalhes (pinturas)

Agora que a peça já se encontra em estado de finalização, deve-se proceder á pintura dos pequenos detalhes que no caso são as grelhas de topo, as grelhas laterais, entradas de fichas, rebordos de janelas, faróis, etc. O processo de pintura termina com a aplicação de camada uniforme de verniz de modo a selar todas as tintas aplicadas até ao momento e aguardar uma secagem segura (+/- 24h) antes de iniciar o processo de colocação de decalques.

Detalhes (decalques e peças)

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Detalhes (decalques e peças)

Nesta fase o modelista deverá proceder a mais algumas adaptações antes de continuar com a colocação dos decalques. No que se refere a bogies e areeiros, os mesmos devem ser estudados e idealizada a forma como se fará a sua colocação no chassi. Para isso deverá o modelista analisar se parte do que vem no chassi pode ser usado com adaptação das peças de detalhe de resina aplicando-as em cima, ou se por outro lado terá de ser construída alguma estrutura ou adaptada para que possam ser acopladas as peças de detalhe. No caso apresentado a base dos areeiros foi utilizada aplicando as peças de resina em cima, mas no que toca a bogies foram completamente removidos os originais de modo a acondicionar os de resina em perfeita harmonia.

img : Nuno Morão

img : Nuno Morão

Esta é uma fase delicada do processo onde mais uma vez e tal como ocorrido no processo de adaptação da carroçaria ao chassi, o modelista terá de efectuar vários testes de adaptação e principalmente garantir que a basculação do bogie é efectuada sem danificar qualquer estrutura ou componente.

Finda essa fase chega a hora da aplicação de decalques que devem ser cuidadosamente estudados e preferencialmente acompanhando com o estudo de fotos reais.

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img : Eugénio Santos

Assim que o processo esteja terminado deve o modelista obrigatoriamente respeitar um intervalo de tempo para secagem. A secagem dos decalques não é visível a olho nu, ou seja por mais seco que o material nos pareça na sua superfície, entre a base do decalque e a superfície do último verniz aplicado há sempre água. Isto quer dizer que se aplicarmos os decalques e passadas 2h por exemplo for aplicado o verniz final, o resultado obtido serão decalques a encolher e a enrugar, bolhas de ar a formar nos decalques que ocupem maior superfície, etc. Este é o resultado contrario ao esperado e será irreparável.
Aplicados que estão os decalques e a ultima camada de verniz, estando a mesma perfeitamente seca, é chegada a hora de aplicar todos os restantes pormenores ou peças que faltam no modelo, isto é, a colocação dos tampões de choque, corrimãos, fecho, pantógrafos, cabos de corrente, mangueiras, engates, etc.

Iluminação

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Iluminação

Neste momento dá-se lugar à aplicação da iluminação. Não vamos desenvolver este tópico pela complexidade que este requer mas sugere-se a utilização de leds SMD 0603 de 1,6mm com aplicação de fios capilares, permitindo uma fácil manipulação de toda a iluminação.
Após aplicados todos os leds ligados em “Serie” permitindo assim baixar a intensidade luminosa, bem como garantindo a aplicação de uma resistência de 2k aproximadamente, deverá ser efectuado o teste de funcionamento e posterior ligação ao decoder.

Modelo finalizado
Novo em folha ou envelhecido?

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Modelo finalizado

Feita a pintura, aplicados os decalques, detalhes e pormenores, instalada a electrificação de luzes, o modelo está pronto a rolar!… ou não…
Há os que gostam das peças “limpas”, há os que gostam de “realismo” efectuando patines ou envelhecimentos.

O envelhecimento de material circulante deve ser sempre acompanhado por um estudo prévio, o mais pormenorizado possivel, com fotos do modelo real em que nos baseamos para o efeito e tendo em conta que a sujidade natural do material circulante não é feita de modo forçado, mas sim pelo contínuo uso.

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Modelo finalizado

Assim a sua simulação num modelo requer a aplicação de várias técnicas que podem ser desde técnicas de pincel como as aguadas ou pincel seco até ao uso de aerógrafo, consoante o resultado final pretendido, tendo sempre o cuidado de parecer natural. Dependendo do modelo a patinar, podem ser usadas cores como o castanho ferrugem para bogies e areeiros, o preto para entradas de ar e respiradores ou até mesmo o branco para simular o laranja queimado do sol, onde posteriormente se aplicará sujidade.

Em futuros artigos iremos detalhar algumas das técnicas usadas, ou aprofundar algumas das secções que o leitor possa achar mais relevantes como por exemplo electrificação, decoders, técnicas de envelhecimento, tintas, etc. Espera-se que esta introdução promova o desperta para esta faceta do modelismo ferroviário ou que vos permita sonhar com os vossos modelos favoritos, que existindo os podem melhorar, ou mesmo possibilitar-vos a produção dos vossos próprios modelos.

             Autoria: José Serrano                    Apoio de produção: www.allscalestrains.com

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