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Até 30 de Setembro, artes plásticas e exposição fotográfica sobre linhas do Douro

 feijo 01O auditório da junta de freguesia de Peso da Régua, na Régua, recebe de 27 de agosto  até 30 de setembro a exposição fotográfica “O Comboio a Vapor – Linhas do Douro e Corgo”, e a exposição “Comboios em Barro”. A mostra junta imagens recolhidas nas linhas do Douro e Corgo por António Feijó, mais trabalhos em barro, do mesmo autor, que ilustram comboios e estações portuguesas.

O espaço das exposições propõe uma viagem pela nostalgia de andar de comboio a norte de Portugal, evocando o imaginário das viagens de janela aberta, acompanhadas da paisagem, e figurinos da região. Também um encontro com os comboios em barro que circularam pelas linhas do Tâmega, Corgo, Tua, Sabor e Douro. Exposições para ver até 30 de Setembro, na região Património da Humanidade do Alto Douro Vinhateiro,  em Peso da Régua.

Como nota e complemento, resta lembrar que até 5 de Outubro  é da Régua que todos os Sábados parte também o turístico comboio do Douro conhecido por Comboio Histórico.

António Feijó é ferroviário de profissão e autor das exposições,  prolonga assim a afinidade pelo caminho-de-ferro para além da profissão através da fotografia e artes plásticas.  A exposição conta também com o apoio da Junta de Freguesia de Peso da Régua.

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Breve resenha das Exposições com António Feijó

A sedução do controlador de circulação e responsável pela estação de Valença, pelo Caminho-de-ferro já vem de longe, aponta para a infância,  “o famoso bichinho ferroviário não vem de agora. A vivência com o caminho-de-ferro vem já desde criança, sou descendente de pais transmontanos da aldeia de Carviçais.”

feijo 05Com familiares ferroviários, viveu de perto a linha do Sabor  tanto no tempo do  vapor “como das famosas caixinhas de fósforos, a automotora a gasolina série ME.”

Com a entrada, primeiro para a CP, e passagem para  REFER depois, aconteceu o casamento entre a afinidade e a profissão,” o gosto pela ferrovia, e gosto de trabalhar também nela.”

Afirma-se viajante de comboios. Percorreu linhas e conheceu as paragens bem como as histórias delas. “Em 1996 assentei praça na estação de Lousado, e logo de comecei a viajar, principalmente pelas vias estreitas.” Lamenta não ter ido mais longe nas viagens, momentos da vida limitaram os movimentos,  “Houve um período em que as viagens  ficaram suspensas, e que até hoje me arrependo de não ter ido mais longe e mais além.” Mas desde 2004 tem levado mais a sério as viagens e o conhecer da rede ferroviária e região.

Pertence desde 2011  á estação de Valença, e foi aí que encontrou motivação para cultivar o entusiamo ferroviário numa vertente mais lúdica “Foi nesta estação fronteiriça que surgiu a vontade de dar uma lufada de ar fresco. Além de ser fronteiriça, o espaço alberga muitos utentes e turistas, e verifiquei que seria o local ideal para enaltecer, e valorizar o espaço da estação.”

feijo 04Com a colaboração da REFER realizou no final de 2011 a 1ª exposição fotográfica na  sala de espera da estação,  o comboio a vapor foi o tema escolhido. Aproveitou o facto de então ser época natalícia e compôs um presépio onde introduziu um comboio à escala a circular,  e a estação de Valença construída com materiais recicláveis.

“Escolhi o tema do comboio a vapor por ser o cartaz mais apelativo e leve ao público, estávamos  numa altura em que os transportes estavam a ser demasiado falados pela média no sentido negativo. A intenção da exposição seria promover um evento à imagem do que acontece com outras estações, valorizar o espaço numa dinâmica cultural, e aconchegar quem passasse pela estação. E, em certa medida, fazer Valença aparecer no mapa com a valência de ser mais do que uma estação de passagem.”

A iniciativa foi acolhida com entusiasmo, e a exposição ” O COMBOIO A VAPOR”  seguiu depois até Vila Franca das Naves “Por mero acaso um vereador da Camara de Trancoso passou por Valença no período de Natal e convidou-me para levar a mesma exposição ao concelho de Trancoso, conjuntamente com a exposição de comboios em barro.”

feijo 03Além da fotográfia o interesse pelo Caminho-de-ferro de António Feijó expressa-se no modelar e pintar o barro  evocando comboios. Para o autor é uma “forma de dar um outro brilho á exposição fotográfica do vapor, pois são colocadas exemplares feitos em barro, de modo artesanal, de material circulante que percorreu as linhas do Douro, Tâmega, Corgo, Tua e Sabor”. Frota que mais tarde, indica José Feijo, “se vai juntar o edifício da estação da Régua.”

O gosto em dar forma ao barro já vem de 2010, e conta com uma  “frota pessoal de 80 exemplares para já, pois tem tendência a aumentar” diz o ferroviário. A opção pelo modelar do barro acontece pelo custo que o modelismo pode ter. Assim “só é preciso ter queda para ser  artesão e saber trabalhar em argila.” 

Mas, além da frota pessoal, modela  para fora. As encomendas, diz,  “já ultrapassa a minha própria frota, já não falando de construção de estações, que neste momento já tenho a de Vila Franca das Naves, Casével e vai ser agora apresentada daqui a uns dias a da Régua que fará parte da exposição.”

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O apontamento foi recolhido em julho com António Feijó para a exposição que era para acontecer em agosto na Estação da Régua, e que não chegou a acontecer.

Rui Ribeiro