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Nacala e escoamento do carvão: Infra-estruturas logísticas já estão a tomar forma

mocambiqueA construção da linha férrea e do porto, parte da infra-estrutura logística do “Corredor de Nacala”, que parte de Moatize, na província de Tete, até Nacala, em Nampula, está a bom ritmo e tudo leva a crer que os prazos da empreitada serão integralmente cumpridos.

De acordo com o director das Operações da Vale, Altiberto Brandão, trata-se de um esforço muito grande, incluindo o investimento que está a ser realizado que atinge 892 milhões de euros, nomeadamente na componente portuária e linha férrea.

O contrato inclui a construção do denominado “troço greenfield” no Malawi, com um total de 137 quilómetros de linha férrea, entre Chikwawa e Nkaya Junction, onde será feita a ligação com a concessão da CEAR (Caminhos de Ferro da África Oriental e Central)“.

Em Moçambique, para além do ramal de Nacala-à-Velha, também serão construídos mais 70 quilómetros entre Moatize e a fronteira com o Malawi.

As obras já iniciaram. O último troço entre Tete e a fronteira com o Malawi vai começar brevemente. É um troço relativamente pequeno com 70 quilómetros. As obras do porto estão de vento em pompa e estamos satisfeitos com o progresso. Tudo leva a crer que teremos a linha concluída em Setembro do próximo ano, para ter o primeiro comboio a circular em Outubro para fazermos os testes da descarga do porto e os do carregamento por volta de Janeiro de 2015, com a entrada do primeiro navio. É um esforço muito grande“, disse.

A Vale justifica a construção desta infra-estrutura logística com a necessidade de dispor de capacidade para escoar o carvão a partir de Moatize, dada as limitações da linha de Sena que só poderá atingir as seis milhões de toneladas de capacidade em 2016, quando terminar o programa de reabilitação ora em curso.

A título de exemplo, segundo Altiberto Brandão, neste momento porque o carvão térmico não paga os custos de transporte não pode ser exportado, estando a ser guardado em “stock”. Só o carvão metalúrgico é que está a ser exportado.

O Corredor de Nacala terá custos mais competitivos de logística. Quando estiver a funcionar o carvão térmico também será exportado. Esta é uma indústria de altos volumes e exige uma logística de alto volume e grande eficiência“, apontou.

A Vale quebrou no mês de Abril o recorde em termos de logística de escoamento na linha de Sena com mais de 300.000 toneladas e a expectativa é que atinja um pico de 450 mil a 500 toneladas por mês no final de 2016 quando terminarem as obras da linha de Sena.

Isto daria para a Vale em torno de 4.5 milhões de toneladas por ano numa capacidade da linha de Sena de seis milhões de toneladas. Isso ainda é insuficiente para Moatize I e para a expansão. Por isso, temos o investimento no “Corredor de Nacala” que eleva a capacidade logística dos dois sistemas para 22 milhões de toneladas no final de 2016“, explicou.

Nessa altura, a capacidade de produção da Vale também estará em torno de 22 milhões de toneladas. Por seu turno, a capacidade de escoamento vai crescendo de forma paulatina até atingir 22 milhões de toneladas em 2018.

Vinte e dois milhões de toneladas de carvão é um volume considerável e Moatize vai ser uma das maiores minas do mundo apesar de que ainda vai estar longe dos primeiros produtores“, indicou Brandão.

A infra-estrutura logística do “Corredor de Nacala”, deverá servir não só os interesses da Vale como também da região.

NOTÍCIAS
03 Setembro 2013
Osvaldo Gêmo