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DESMISTIFICANDO AS CAUSAS DO ENCERRAMENTO do troço Mirandela – Bragança (CONTINUAÇÃO)

Braganca automotoraParte II – Os Horários serviam as populações?

O vídeo que se segue é uma montagem feita pelo MCLT em 2008, aquando da realização de uma exposição de fotografias dedicadas ao tema “Linha do Tua”, promovido pelo então centro comercial “Fórum Theatrum”. As fotos que surgem no vídeo estiveram lá expostas, sendo muitas delas da autoria de alguns membros do MCLT.

Para memória futura, a sua administração foi responsável pelo único acontecimento em Bragança de celebração do centenário da chegada do caminho-de-ferro à cidade, em 2006. A eles, mais uma vez, o nosso muito obrigado.

Nele figura aquele que foi o último Chefe de Estação de Bragança – que curiosamente já havia sido o último Chefe de Estação de Sendas, até que a entrada em vigor do RES – Regime de Exploração Simplificada, em 1984, esvaziou as estações da Linha do Tua de pessoal.

Apesar de os horários que relata nesta entrevista não coincidirem exactamente com os últimos horários de 1991 (estamos a falar de um hiato de 17 anos, pelo que se apela aqui à vossa compreensão), fica aqui um testemunho de quem mais de perto poderia conhecer a realidade ferroviária da Linha do Tua em Bragança, à data destes infelizes acontecimentos. Como o próprio atesta, e como explicamos em detalhe no post anterior, os horários dos comboios em Bragança não serviam NINGUÉM – e não o contrário: NINGUÉM procurava o comboio. Este tabu perdura estupidamente até aos dias de hoje, no que resta da Linha do Tua.

Em 1991, último ano de comboios a operar em Bragança, a Linha do Tua obteve 173 mil passageiros, que ainda assim preferiam o comboio ao autocarro – mais uma vez sublinhamos, com ESTES horários. Nos dois anos seguintes, com os autocarros de substituição do comboio, perderam-se 80 mil passageiros. Daí até 1997, a Linha do Tua perdia, com estes autocarros, mais 55 mil passageiros. Em suma, com a saída dos comboios e a entrada dos autocarros com os MESMOS horários, 135 mil passageiros foram obliterados das contas da Linha do Tua.

Nos primeiros 6 meses de operação, estes autocarros de substituição registaram 4 acidentes; em 2 deles, houve a lamentar 1 morto, 5 feridos graves, e 30 ligeiros.

E é esta a receita que, 22 anos depois, querem administrar novamente na Linha do Tua, agora no troço Cachão – Tua, como vem estipulado no protocolo para a Mobilidade no vale do Tua – sobre o qual oportunamente falaremos.

O quão ridículo/canalha se poderá continuar a ser com a Linha do Tua?!

Parte I

Daniel Conde – Movimento Cívico pela Linha do Tua