free web
stats

Exposição “100 Anos da Chegada do Comboio a Vouzela”

cabeçalho

.

 gazetao Novembro de 1913:

« À incerteza da obra tinha sucedido a esperança e o espanto. Centenas de operários e engenhos nunca antes vistos, ergueram um viaduto com os seus dezasseis arcos de pedra, que muitos apostavam não conseguir resistir. Finalmente, o comboio ia chegar. Todos quantos alguma vez o viram, podem imaginá-lo a entrar na ponte, lançando aos ares o seu apito de aviso de aproximação, ampliado pela dimensão do vale e do silêncio. Do outro lado, junto à estação, o povo apinhado, olhando, admirado e incrédulo, aquela massa de ferro preto que avançava com um som cadenciado por entre nuvens de fumo branco. Finalmente, o comboio chegou. Vouzela sempre foi “local de encontros e despedidas”. Desde que os Romanos lhe toparam a orografia e alargaram e empedraram estradas, a sua história ficou indissossiavelmente ligada a vias de comunicação. Para o bem e para o mal. Foto Novembro de 1913 chegada à estação de vouzelaA Linha de Caminho de Ferro do Vale do Vouga foi uma delas e a chegada do comboio naquele dia de 1913, marcou o início de uma revolução nos afazeres e nos hábitos, imagem de marca do último período de desenvolvimento que por estas terras houve. (…) “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” (…) O  futuro estava nas quatro rodas, de preferência individuais e nessas mortalhas de alcatrão que nos levavam à porta e haviam de cobrir o país. Recusaram-se propostas de modernização e ignoraram-se sugestões de aproveitamento turístico. Em 27 de Dezembro de 1983, cobriram-no com coroas de flores e bandeiras e chamaram-lhe “Histórico”, porque não se diz mal de um defunto. Pela última vez, o seu apito ecoou ao entrar na ponte, ampliado pela dimensão do vale e do silêncio das gentes que lhe prestavam a última homenagem, suspeitando estarem a enterrar muito mais do que aquela massa de ferro que se despedia por entre nuvens de fumo branco.

                Mas os senhores deste mundo, não conhecem a ironia corrosiva do beirão. Vamos ouvindo as notícias sobre a crise do petróleo e os insuportáveis custos da energia e, então, fecho os olhos e imagino-me na sala de jantar da saudosa Pensão Jardim, amplas janelas abertas para o vale e para a ponte. Recordo o som cadenciado da aproximação e aquele apito agudo que desperta e grita: “acordem, vouzelenses! Temos um comboio para apanhar!”

                                                                                                              António Gil Campos (Novembro de 2013)

.

Este é um excerto de um documento, entregue a todos aqueles que visitam a exposição patente no Museu Municipal de Vouzela que, desde o dia 5 de Novembro, recebeu a exposição100 Anos da Chegada do Comboio a Vouzela”. A inauguração marcou o início das comemorações do centenário da chegada do comboio a Vouzela, promovidas pela Câmara Municipal e pela Associação D. Duarte de Almeida.

Foram várias as entidades presentes, das quais se destacou a presença do Presidente do Conselho de Administração da Fundação Museu Nacional Ferroviário, Jaime Ramos, representantes das escolas e também de antigos ferroviários da Linha do Vouga.

 gazetao_

A mostra contou com diversos objectos ligados à actividade ferroviária, que durante mais de 70 anos fez parte da realidade do concelho de Vouzela.gazetao_1

O espólio documental, as fotografias “vintage”, uma mini pista de comboios, fardas, carris e o boneco «manneken pis», mais conhecido como “pilinhas”, entre outros instrumentos usados na vida diária dos ferroviários, são alguns dos motivos que fizeram parte desta exposição que esteve patente até ao início do mês de Dezembro.

Relógio estação de Vouzela

Relógio estação de Vouzela

Na ocasião, Rui Ladeira, Presidente da Câmara de Vouzela, sublinhou a importância da iniciativa. “Por tudo o que esteve relacionado com a passagem do comboio em Vouzela, não só em termos de desenvolvimento económico, mas sobretudo das relações humanas que se criaram, a Câmara Municipal não poderia deixar de se associar a estas comemorações”.

O autarca anunciou ainda, durante a inauguração, que a Câmara Municipal pretende criar um núcleo museológico da actividade ferroviária no concelho. “Em virtude do vasto espólio existente e de outro que pode ficar protocolado com a Fundação do Museu Nacional Ferroviário, estamos em crer que é possível criar um espaço que evoque esta actividade e a sua ligação ao concelho”, sublinhou.

 As comemorações dos 100 anos da chegada do comboio a Vouzela tiveram continuidade, no dia 16 de Novembro, com a caminhada do centenário, e no dia 30 de Novembro com um almoço convívio com descerramento de uma placa evocativa, e de uma tertúlia sobre a época do caminho-de-ferro na linha do Vale do Vouga.

Estará ainda presente no Museu Municipal a exposição “Olhares sobre a Ponte”, de 7 a 31 de Dezembro.

Allan na ponte vouzela

IMG_8136

Texto e imagens: Pedro Costa