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Características e vantagens das linhas ferroviárias de via esteita: caso da Linha do Corgo

Regua_stationAs linhas ferroviarias em bitola estreita – em Portugal são vias metricas – são projectos ferroviários que exigem menos orçamento porque recorrem a infra-estruturas menos pesadas, usam composições um pouco mais pequenas (carruagens, locomotivas, wagons), implicam geralmente a construção de pontes e tuneis mais pequenos e adaptam-se a traçados com raios de curvatura mais apertados.

Por conseguinte, tendo em atenção estas caracteristicas, os “sistemas ferroviarios de via estreita” são frequentemente usados em regiões de orografia montanhosa (serras e planaltos) onde a implementação de linhas ferroviarias já por si é mais dificil, a par da necessidade em conseguir-se custos globais mais baixos em todo o projecto. As vias estreitas constituem também a solução geralmente adoptada para as regiões de mais dificil acesso, onde a densidade populacional é mais baixa e a procura á partida é menor, permitindo que estes projectos ferroviarios se tornem potencialmente viáveis – e muitas vezes verdadeiros casos de sucesso (veja-se o caso de Espanha e da Suiça).

Em muitos países as ferrovias de bitola estreita constituem linhas afluentes ou ramais que servem frequentemente as regiões interiores de montanha, e estão ligados á restante rede ferroviária de via larga permitindo alimentar o tráfego destas ultimas.

Segue-se uma lista com alguns paises europeus onde são exploradas linhas de via estreita com interligação á rede de via larga:

- Suiça, Austria, Alemanha, Reino Unido, França, Espanha, Portugal (actualmente quase todas desactivadas…) Grécia, Bulgária, Hungria, Romenia, Youguslavia, Checoslovaquia, Begica, Irlanda, Italia, Lituania, Estonia, Noruega, Suecia, Polonia, Finlandia e Russia.

Em resumo:

Dado que as linhas estreitas são construidas com raios de curvatura mais pequenos e infra-estruturas mais leves e flexiveis, elas tornam-se substancialmente mais baratas em termos de construção, de aquisição de equipamentos de transporte, de manutenção e de operação.

Os custos mais baixos conduzem a que esta seja a solução ferroviaria mais adequada para servir regiões e comunidades de acesso mais dificil e onde o trafego potencial não justifique os elevados custos de construção e operação de linhas de bitola larga.

No que toca ao transporte de mercadorias, as vias estreitas são também soluções bem adaptadas no transporte de todo o tipo de mercadorias, e com especial enfase na exploração de minas e pedreiras – lembremo-nos que o distrito de Vila Real tem diversas explorações mineiras, nomeadamente importantes explorações de granitos (concelho de Vila Pouca deAguiar) e que muito poderiam beneficiar a este respeito: o transporte dos granitos deveria ser feito por camião até ao terminal de carga do comboio e a partir deste o seu escoamento em grande quantidade para outras regiões, aproveitando-se a eficiencia e a capacidade de escala caracteristicos do comboio bem como os consequentes custos mais baixos de transporte.

Luís Gonçalves