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China investe em redes de transportes africanas

img : David Gubler

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As redes de transportes transnacionais, atravessando países como Angola e Moçambique, deverão ser as principais beneficiárias do investimento de 1 bilião de dólares liderado pela China em África nos próximos 12 anos.

“Temos muito dinheiro para aplicar”, afirmou no final do ano passado o quadro superior do Banco de Exportações e Importações (ExIm) da China, Zhao Changhui, na Cimeira de Investimento Africano (Hong Kong), de onde saiu o compromisso de serem aplicados 1 bilião de dólares pela China e pelos bancos públicos dos países beneficiários.

Deste total, 80% virá do Banco ExIm, destinando-se à construção de auto-estradas transnacionais, linhas de caminhos-de-ferro e aeroportos e, de acordo com Zhao, 500 mil milhões podem ser aplicados no antigo projecto de ligação ferroviária do Cairo à Cidade do Cabo.

Para Robert I. Rotberg, professor da Paterson School of International Affairs da Carleton University (Otava, Canadá), os investimentos e apoio chinês em África vão tornar-se “ainda mais valiosos” nos próximos anos para a continuação do crescimento económico, com a expansão prevista da população africana, em países como a Nigéria ou a República Democrática do Congo.

“Felizmente, a China parece vocacionada para fortalecer a sua parceria com países chave em África (…) O investimento chinês pode ajudar o povo africano a continuar a atingir elevados níveis de vida e muito mais independência económica”, disse Rotberg em artigo na folha de informação China-US Focus, em análise ao encontro de Hong Kong.

Num sinal da importância dada às relações com África, o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, escolheu o continente africano para a sua primeira visita em 2014, concluída a 11 de Janeiro, que incluiu Etiópia, Djibouti, Gana e Senegal.

“Também é a primeira visita realizada pelo ministro à África a sul do Saara após a tomada de posse da nova administração da China”, sublinhou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Qin Gang.

No final do ano passado, um novo acordo de cooperação económica e técnica Angola-China foi rubricado em Luanda pela secretária de Estado para a Cooperação, Ângela Bragança, e pelo embaixador da China em Angola, Gao Kexiang.

No âmbito do acordo, a China vai prestar uma ajuda não reembolsável ao governo angolano, no montante de 200 milhões de yuan, que será aplicado na reconstrução do Hospital Geral de Luanda.

Em declarações à imprensa, Ângela Bragança referiu que se trata de mais um passo para consolidar a parceria estratégica entre os dois países, enquanto o diplomata chinês garantiu que a assinatura deste acordo mostra o interesse de Pequim em continuar a participar no processo de desenvolvimento de Angola.

A China dispõe de reservas externas de cerca de 3,5 mil milhões de dólares, que podem ser aplicadas em investimentos directos em países africanos, empréstimos comerciais ou assistência financeira.

Entre os projectos a serem negociados inclui-se um “corredor aéreo” com a República Democrática do Congo, composto por uma ou mais companhias aéreas e uma rede de aeroportos regionais, que permitiria ao país ultrapassar as suas dificuldades em termos de transportes.

Segundo Rotberg, o Banco ExIm quer também virar-se para investimentos agrícolas, dada a grande disponibilidade de terras férteis disponíveis, contribuindo para alimentar o continente e também para criar uma indústria, cujo valor pode saltar dos actuais 280 mil milhões de dólares para 880 mil milhões nos próximos anos.

“Uma vez que a África a sul do Saara será a parte do mundo com mais rápido crescimento até 2100, qualquer coisa que a China possa fazer para ajudar o continente a ter melhores infra-estruturas, cultivar alimentos, electrificar as suas redes e obter água potável para consumo e irrigação, irá melhorar o bem-estar dos africanos e a prosperidade dos respectivos países”, refere o investigador.