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Ferrovia do Limpopo reaberta sem restrições

A linha férrea do Limpopo, que liga Moçambique ao vizinho Zimbabwe, foi reaberta ao tráfego no último fim-de-semana, depois de cinco dias de interrupção na sequência do descarrilamento de um comboio no Km-272, na região de Chókwè, província de Gaza.

Fonte da Direcção de Engenharia da Empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) é citado pelo “Notícias” a dizer que depois de concluído o trabalho de desobstrução da via a mesma foi declarada parcialmente livre a meio da tarde de sexta-feira, o que permitiu que transitasse o primeiro comboio de passageiros. Na tarde do dia seguinte, sábado, segundo a fonte fonte do jornal, a linha-férrea do Limpopo foi declarada completamente livre para operação, sem restrições, tendo a partir daí sido retomada a circulação de comboios de carga de e para o Porto de Maputo.

A reabertura da linha ao tráfego foi precedida de um trabalho de estabilização do balastro na zona onde ocorreu o descarrilamento, uma operação destinada a conferir maior consistência à estrutura da ferrovia.
Entretanto, não foram divulgados os resultados do inquérito instaurado para apurar as causas do descarrilamento do comboio, uma composição de 26 vagões transportando açúcar proveniente do Zimbabwe para exportação através do Porto de Maputo. Na sequência do sinistro oito vagões descarrilaram e outros doze tombaram nas bermas da linha, despejando parte considerável da carga.
Dados equacionados na altura pela empresa consideravam o incumprimento das restrições de velocidade por parte da tripulação do comboio como tendo sido a causa do acidente, mesmo admitindo que a região onde se deu o sinistro é de solos movediços, que inspiram cuidados adicionais na circulação de comboios, sobretudo após a queda de chuvas.
A linha-férrea do Limpopo é a maior do sistema ferroviário sul, que integra as linhas de Ressano Garcia, que liga à África do Sul; da linha de Goba, que liga ao vizinho Reino da Suazilândia e ainda o ramal de Salamanga. Trata-se de uma via com grande importância estratégica para vários países do “Hinterland” da África Austral, principalmente o Zimbabwe, país que tem naquela via a sua mais viável rota para as suas exportações e importações através do Porto de Maputo.
Além do Zimbabwe, a linha do Limpopo serve outros países com interesse crescente de se relacionar com diversos mercados através do Porto de Maputo, a exemplo do Botswana, que vem equacionando a utilização daquela infra-estrutura para o transporte de suas mercadorias de importação e exportação.

No plano interno a linha do Limpopo joga um papel relevante na ligação entre a capital do país e as várias comunidades, nomeadamente Manhiça, Magude, Chókwè, Mabalane, Mapai e Chicualacuala, localizadas ao longo do seu traçado, tradicionalmente dependentes do comboio para se abastecer de bens de primeira necessidade.