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1805 e Allan 304 preparam-se para exploração comercial

comboioPresidencial_01Depois de no passado dia 15 de Julho o Museu Nacional Ferroviário (MNF) ter avançado a assinatura de um contracto que prevê o estado de marcha e exploração comercial para a locomotiva diesel CP 1805 e automotora Allan 304, material circulante do acervo de material circulante do MNF, a webrails.tv aproveitou para procurar dar um contexto para esse acordo.

Dentro das reservas no acesso às condições que o contracto comercial encerra, Maria José Teixeira, da Direcção Geral da Fundação Museu Nacional Ferroviário (FMNF),  começou por nos explicar  que a Heritage Traction Rail Services Ltd vai proceder à recuperação dos veículos, ” sem qualquer investimento da Fundação.” O modelo rubricado contempla que a Heritage assuma o custo financeiro do estado de marcha para os veículos, ” e após recuperar o investimento passa a pagar uma renda ao MNF, ” refere.

Retorno do Investimento

A exploração comercial, ao nível da promoção de pacotes turísticos, será a forma de cobrir o investimento refere o elemento de ligação entre a FMNF e o MNF, e a Direcção de Projectos. Com o retorno a ser assegurado através da ” organização de passeios ou viagens turísticas em Portugal mas para o mercado inglês, e também para o nacional, embora [ a empresa ] opere mais com o mercado inglês e alemão. “ Maria José Teixeira adianta ainda: ” esse pacotes turísticos vão incluir sempre uma visita ao MNF, e que inclui também, em termos de acordo comercial, a obrigatoriedade da empresa divulgar o MNF e o património do MNF em Inglaterra. “

Se para a automotora Allan 304, quando estiver apta a circular, a exploração se possa considerar mais simples e menos onerosa. Optima para promover passeios com grupos pequenos, e assumindo as vantagens de um veículo ferroviário constituído por um posto de condução em cada extremidade. A disponibilidade da locomotiva 1805 deixa em aberto o uso de combinações de carruagens traccionadas. Na actualidade a composição mais conhecida do MNF, e única homologada pelo IMT, que a CP 1805 poderá encabeçar será o comboio presidencial. A composição compreende 6 carruagens que transportaram o chefe de Estado português, e comitiva, em viagens oficiais durante parte do Séc. XX. Mas esta não será a aposta para uma operação turística com máquina e carruagens de base regular, apurou a webrails.tv , oferta onde existe a expectativa de serem levantadas circulações mensais, quinzenais ou até semanais.

Oportunidade da Parceria Heritage Traction Rail Services Ltd

Maria José Teixeira começou por enquadrar a locomotiva CP 1805 como uma peça bastante conhecida em Inglaterra, em particular junto dos entusiastas ingleses dos caminhos de ferro. A série portuguesa teve na sua génese a Classe 50 que circulou em Inglaterra. A proposta de recuperação para fins turísticos terá surgido, e sido amadurecida, numa das deslocações de aficionados ingleses a Portugal, para” verem essa locomotiva, estarem perto da locomotiva.”

Depois de feito o contacto, no sentido de averiguar a possibilidade de um acordo comercial para English Electric do MNF, colocou-se a hipótese da enquadrar também a  Allan. ” Nas deslocações  tiveram a oportunidade de visitarem o MNF, de ficarem a conhecer melhor as nossas instalações, também o nosso material circulante, e surgiu a oportunidade de para além da locomotiva avançarmos com a recuperação da Allan. “

A Heritage Traction Rail Services Ltd surge aqui como uma empresa inglesa com experiência no sector ferroviário na área dos veículos históricos. Em Inglaterra já procedeu à recuperação de veículos históricos, em que promove juntamente com operadores turísticos o aluguer e oferta turística. Por outro lado é uma empresa que junta antigos ferroviários com saber em várias áreas, onde fonte próxima da Heritage adiantou que ” existe experiência na recuperação de locomotivas classe 50, máquinas que serviram de base para a série 1800 da CP. “

A Recuperação da English Electric CP 1805 e Allan 304

A 1805 encontra-se actualmente no Porto, oficinas da EMEF de Contumil, e a Allan no Entroncamento, em exposição no MNF. De acordo com Maria José Teixeira, a 1805 tem já duas acções identificadas. Uma passa pela reparação de ” uma fuga de gasóleo, ” operação a executar que considera simples. A outra será recuperar as cores azul e branco, num esquema de pintura que deverá trazer as cores dos primeiros tempos de circulação. De resto a locomotiva encontra-se em 2015 homologada para o serviço comercial: ” Já tem o ICS, está praticamente pronta para fazer serviço comercial.  “ Menos avançada, com diagnóstico ainda por fazer, está a Allan. Sobre a Allan a responsável do MNF adianta: ” a parte exterior parece-nos que está bem conservada, mas a primeira coisa a fazer é um diagnóstico, e depois mediante o resultado desse diagnóstico proceder à reparação. “

Peças do acervo MNF desde pelo menos 2008, ano em que foi inaugurada a rotunda de locomotivas do Museu, no Entroncamento. Conseguimos apurar que a locomotiva, já sobre a alçada do MNF, estava a funcionar, embora sem autorização do IMT para circular na rede ferroviária nacional. Processo de certificação só seria iniciado em 2013, com a 1805 na oficina de EMEF em Contumil. A locomotiva seguiu do Entroncamento para Porto em 2010. A marcha especial do MNF juntou na época uma composição singular, com o foguete e carruagens do comboio presidencial para restauro. A ida para Contumil previa também a pintura da locomotiva com as cores da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses. Uma pintura, adiantou fonte ferroviária, que podia já ter sido feita em 2010 não fosse ” na altura esqueceram-se de falar com os patrocinadores dessa pintura e à conta disso ficou sem efeito esse patrocínio. ”

Já a Allan foi pintada em Guifões para estar presente na inauguração da rotunda do MNF em 2008. Quando automotora ” seguiu para a pintura, ia a trabalhar, mas cortaram os cabos dos motores de tracção. Na ” altura foi dito [ por um quadro da EMEF ] que era possível reparar os cabos dos motores de tracção em meio dia de trabalho, mas que por parte do MNF não houve interesse,” em a colocar a Allan 304 a andar. Hoje desconhece-se o estado e extensão das questões se colocam para circular novamente.

A recuperação dos veículos deverá ser feita em Portugal. E embora ainda não exista qualquer acordo ou garantia se esse trabalho poderá passar pela EMEF, um ferroviário próximo da parte oficinal do grupo CP consultado sobre o tema refere: ” Não podemos esquecer que até ver a EMEF é uma empresa equiparada a Fundadora do Museu, portanto seria muito mais rentável se os veículos fossem colocados em estado de marcha pela EMEF e fazerem publicidade a isso em Inglaterra e noutros países. É a minha opinião, pois a EMEF nas condições que existem hoje era uma solução muito mais interessante, de qualquer das formas ainda não percebi quem é que vai fazer.”

Em Resumo

Num cenário onde os números associados ao turismo batem recordes, e as ofertas cada vez em maior número procuram capitalizar a atenção dos turistas, o Museu Nacional Ferroviário reconhece ter potencial, lendo no sector ferroviário um espaço ainda em aberto. Mas para que possa ser aproveitado será necessário ter material circulante homologado para viagens.

” Da nossa parte, o maior interesse destes acordos comerciais, e deste acordo em particular é o Museu poder restaurar, recuperar mais veículos para circulação. Uma vez que o investimento financeiro é muito elevado nós não temos condições. Este tipo de acordo comercial permite-nos ir restaurando os veículos. E existe interesse em outro material circulante, mas primeiro recuperamos estes dois, “ destacou Maria José Teixeira a rematar a conversa.

O Museu espera assim conseguir colocar mais material circulante em estado de marcha, numa altura em que refere não ter liberdade de recursos financeiros para o fazer. E embora não seja revelado o valor consignado no contracto assinado ou qual o custo inerente à recuperação dos veículos, possibilitando interpretar o interesse do compromisso celebrado para o MNF, este não deixará de ser um acordo que deverá permitir ao Museu ensaiar conhecimento e competências na exploração comercial do seu acervo, e assumir nas circulações de material histórico uma forma de aumentar e diversificar as receitas, valorizando a componente de Museu de transportes.