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Acervo do MNF incorpora lote de material para sucata em venda da CP – 03

img: Jean-Pierre Vergez-Larrouy

img: Jean-Pierre Vergez-Larrouy

Depois de posicionar o operador ferroviário público, um dos fundadores da FMNF, e com ele aceder a uma dimensão operacional com a visão de empresa que transporta passageiros. Saltamos na questão que envolve a UTE 2001 para uma dimensão cultural mais próxima dos fins da FMNF. A entidade tem como missão o “estudo, a conservação e a valorização do património histórico, cultural e tecnológico ferroviário português”, que segundo preâmbulo dos estatutos da FMNF,  “acresce que a qualidade e quantidade do património cultural ligado aos caminhos-de-ferro em Portugal é das mais importantes a nível europeu e mundial, nomeadamente porque o nosso país não foi devastado pela destruição das duas últimas guerras mundiais”.

Foi recorrendo a quem traduz, num contexto lúdico e cultural, o saber e conhecimento da actividade que começos a abordagem. Ai conseguiu-se definir o que é uma UTE. Que através de relatos, e acesso a documentos, colocámos a automotora 2001 como parte do acervo da FMNF. Que tomamos contacto com história da 1ª fase das automotoras tripas eléctricas. Foi daqui que partimos então à procura daquilo que empresta lastro e densidade à cultura, fomos à procura do detalhe no geral. Ou seja do saber e conhecimento.

Fonte CP, solicitada informação sobre a preservação de 1 exemplar das três fases das UTE’s, emprestou um exemplo da fonte de matéria prima para as dimensões culturais e tecnológicas no cenário real: “elas dizem respeito a momentos diferentes da encomenda que teve a ver com dificuldades orçamentais e também de ritmo de construção pela Sorefame. Assim entraram ao serviço as 2001-2025 em 1956, 2051-2074/2082-2090 entre 1962 e 1966, 2101-2124 em 1970 e 2151-2186/2201-2230 entre 1977 e 1984. De referir que as séries 2100 e 2200 deram origem às actuais 2240, que ainda fazem serviço regional na CP, nomeadamente entre Lisboa e Tomar e serviço IC entre Lisboa e Covilhã”.

Se o operador publico deu uma camada, Manuel Tão, presidente da Associação Portuguesa dos Amigos do Museu Nacional Ferroviário retirou dimensão. “A mais emblemática, na medida em que foi a primeira série, a 2001 a 2025, que inaugurou o monofásico em Portugal em termos de unidades automotoras”, as automotoras cruzam-se com a inauguração da electrificação. Por conhecer as outras 2 fases do material circulante adianta: “Não tem um carisma muitas vezes atribuído a outro material circulante, mas até por causa disso, pelo facto da 2001 ter características próprias em termos de desenho da caixa e da própria estrutura da composição”, se torna um atractivo para a preservação. ”Pelo menos, do ponto de vista meramente estético (mesmo que não circule) uma UTE da primeira fase é algo que valoriza o Museu”. Também por isso refere que era “importante manter a UTE2001, mesmo apenas de forma cosmética, porque as 1as fases eram diferentes do resto”.

Por outro lado o entusiasta e investigador Paulo Alexandre emprestou sentido e caminho. Defende a preservação de uma unidade referente a cada uma das três Fases, “pois todas elas são diferentes, construídas sobe orientação projectos distintos”. Destaca ainda que são “a prova viva da nossa capacidade industrial na década de 50 do séc. XX”. A construção das UTE’s da primeira fase foi “uma autêntica aventura, pois todo o projecto da Caixa foi elaborado pela nossa engenharia sob patente Budd”, que refere de “grande importância, e relevância histórica”.

Questionado sobre se existe espaço para albergar as unidades responde: “Como a natureza dos materiais usados na Caixa é muito resistente à corrosão, logo dai poderão estar ao ar livre tal como acontece à 59 anos, apenas necessitam de especial atenção no que respeita à segurança”.

Já para a unidade da FMNF, uma unidade protótipo, o aficionado aponta a exposição estática na área museológica. E refere que “A UTE 2001 poderá ser recuperada com os componentes das restantes UTEs ainda existentes como exemplo a 2008”.

Vê este tipo de unidades como peças chave para que o Museu possa começar rapidamente, e de uma forma simples, gerar receita através da elaboração de comboios turísticos. “São automotoras fáceis de operar, com o mínimo de custos, e com o mínimo de manutenção”. Crê que serão também uma forma de promover a imagem do museu, não apenas através das exposições. E remata: “Pois viagens de carisma turístico serão uma excelente forma de divulgar o Museu”, interna e externamente.

Abdicar de espólio num contexto museológico implica enquadrar as dimensões culturais e tecnológicas nessa opção. Como o contexto histórico, o papel de uma peça na lógica de uma colecção, ou na estratégia de afirmação. Depois porque as peças não são da gestão da FMNF, são da entidade.