free web
stats

IP esclarece populações sobre obras a executar em Runa e Penedo

Decorreu ontem ao final da tarde na Câmara Municipal de Torres Vedras, uma sessão de esclarecimento sobre as intervenções a executar no território deste concelho, nomeadamente junto às localidades de Runa e de Penedo, no âmbito do projeto de modernização da Linha do Oeste.

A sessão teve a participação do presidente da C.M. de Torres Vedras, Carlos Bernardes, assim como dos seus vereadores, do presidente da UF de Dois Portos e Runa, do Presidente da Assembleia Municipal e do Movimento de Cidadãos para a Defesa da Freguesia de Runa, tendo a Infraestruturas de Portugal, representada pelo seu Vice-Presidente, Carlos Fernandes, e a equipa técnica da área de Projetos e Empreendimentos, prestado todos os esclarecimentos às diversas questões colocadas pelos intervenientes.

O projeto de Modernização da Linha do Oeste, desenvolvido no âmbito do programa Ferrovia2020, tem como principais objetivos a melhoria da eficiência, segurança e o reforço da competitividade do transporte ferroviário de passageiros.

Através da otimização do traçado de via, da instalação de nova sinalização e telecomunicações ferroviárias e com a utilização de material circulante de tração elétrica, será possível a redução do tempo de percurso entre Caldas da Rainha – Lisboa e Torres Vedras – Lisboa em mais de 30 minutos.

O aumento da capacidade de exploração da via e o previsível aumento da procura, permitirá igualmente o aumento da frequência de comboios por dia e, sobretudo, evitar as mudanças de comboio em Meleças que hoje ocorrem em grande parte dos serviços.

Outro grande benefício está relacionado com a descarbonização associada a este meio de transporte (através da redução dos custos energéticos e das emissões de CO2), permitindo alinhar este investimento com as metas climáticas estabelecidas no Pacto Ecológico Europeu.

Em concreto, estima-se que o investimento na modernização da Linha do Oeste contribua com uma redução de 81 mil ton. de CO2 equivalente até 2046.

Edificação da Subestação de Tração Elétrica em Runa

A modernização da Linha do Oeste envolve a eletrificação de 87,5 quilómetros de via, entre Mira Sintra-Meleças e Caldas da Rainha, o que obriga à construção de uma Subestação de Tração (SST), ligada à rede primária da REN (Redes Energéticas Nacionais), a partir da qual sairá a alimentação elétrica para o sistema de catenária (2x25kV) a instalar no troço e que irá permitir a circulação de material circulante de tração elétrica, mais moderno, confortável, eficiente e menos poluente.

Todo o projeto de Eletrificação da Linha do Oeste, onde se inclui a definição da localização da SST, foi objeto de um rigoroso processo de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA), iniciado em 2017.

Foi sujeito a Consulta Pública, em fase de Estudo Prévio entre fevereiro e março de 2018 e em fase de Projeto de Execução entre novembro e dezembro de 2018. Em fevereiro de 2019 foi emitida a Declaração de Conformidade do Projeto de Execução por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

O projeto foi dividido em duas grandes empreitadas, sendo que a obra de requalificação e eletrificação do troço entre Mira Sintra-Meleças e Torres Vedras, que inclui a execução da SST, foi iniciada em novembro de 2020.

Por questões de ordem técnica decorrentes da alimentação elétrica da Rede Ferroviária Nacional, a SST tem de se situar entre os quilómetros 58 e 59 da Linha do Oeste, isto é, nas proximidades de Runa e Penedo.

Uma vez que estamos numa região com zonas inundáveis adjacentes à linha ferroviária, a disponibilidade de áreas para a instalação da subestação é muito limitada.

Procurou-se uma localização próxima de acessos rodoviários públicos, com pouca concentração de habitações, de forma a minimizar os impactes locais, evitando simultaneamente não ocupar áreas classificadas como Rede Ecológica Nacional.

Assim, face às condicionantes existentes, e após avaliação de diversas alternativas que foram descartadas por não respeitarem requisitos ou apresentarem maiores impactos, foi definida a sua edificação nas proximidades da localidade de Runa junto à Rua Quinta do Penedo.

Entre o limite da SST e a Rua Quinta do Penedo foi definida uma larga área de afastamento, de forma a minimizar a proximidade desta instalação com a habitação ali existente. Atendendo à disposição da aparelhagem na Subestação de Tração, os aparelhos de Muito Alta Tensão (220 kV) estarão a cerca de 83 metros da habitação mais próxima, um distanciamento perto do dobro do exigido por lei (Decreto-Lei n.º 11/2018, de 15 de fevereiro).

Importa salientar que a Subestação de tração de Runa constitui uma infraestrutura comparativamente compacta e de baixa potência, e que em toda a Rede Ferroviária Nacional existem diversas Subestações idênticas nas proximidades de habitações sem que, até à data, tenham sido reportadas quaisquer questões relacionadas com eventuais riscos para a saúde.

Em termos de impactos visuais para as localidades de Runa e Penedo, o relevo e vegetação existente longo do rio Sizandro constituem barreira visual natural, que será complementada com plantação de uma cortina arbórea com espécies autóctones que ocultará a subestação das habitações mais próximas.

Relativamente às questões levantadas a respeito do interesse arqueológico do local, no âmbito dos estudos ambientais elaborados em fase de projeto, foi feito levantamento aturado do património cultural/arqueológico, não tendo sido detetado qualquer vestígio arqueológico na área de implantação da subestação de Runa.

Não obstante, está prevista a realização de sondagens arqueológicas exaustivas previamente ao início da obra, e o acompanhamento arqueológico permanente, durante a sua execução.

Não obstante o extremo cuidado tido na definição da localização e na elaboração do projeto da Subestação de Tração de Runa e os seus impactes serem mínimos e mitigáveis, a IP transmitiu na reunião o seu acordo em aprofundar a análise de uma solução alternativa, na mesma zona mas do lado oposto da via férrea, já anteriormente estudada mas que, na opinião dos presentes, apresenta-se como menos impactante.

A Infraestruturas de Portugal tem em execução um programa contínuo de supressão de Passagens

de Nível (PN) na Rede Ferroviária Nacional, sendo que no âmbito da Modernização da Linha do Oeste está prevista a supressão de 14 PN. Durante a fase de Estudo Prévio, foi proposta a supressão da PN em Runa, todavia as soluções propostas foram rejeitadas no decorrer da Avaliação Ambiental.

Por forma a não comprometer desenvolvimento de todo o projeto de Modernização da Linha do Oeste, o projeto de supressão da PN em Runa foi destacado, mas não abandonado.

A IP mantém a intenção de proceder à supressão desta PN, estando previsto que o lançamento do projeto para a execução de uma nova solução de reforço da segurança rodoviária e ferroviária em Runa, ocorra ainda este ano.

Avaliação de mudança da localização da Estação de Runa

A atual Estação de Runa serve diretamente o Centro de Apoio Social de Runa, sendo que o acesso pedonal a Runa é realizado através de uma estrada com berma reduzida.

Para obviar este problema, a IP estabeleceu um compromisso com a autarquia para a melhoria do acesso pedonal.

A eventual deslocação da estação para um local mais próximo de Runa está condicionada pela existência de curvas sucessivas nesta zona da Linha do Oeste, o que cria diversas dificuldades, não só ao nível da operação e circulação ferroviária, mas também na qualidade e segurança do acesso dos passageiros ao comboio.

Ainda assim, por sugestão da C. M. de Torres Vedras, a IP comprometeu-se a avaliar e ponderar os impactos e benefícios da aproximação da estação ao centro de Runa.

Caso venha a ser considerada viável e que os seus benefícios superam os inconvenientes, a Câmara Municipal assumirá a responsabilidade pela execução das ligações pedonais e do parque de estacionamento para apoio à nova localização para o apeadeiro de Runa.

O Estudo e avaliação da mudança da Estação de Runa será concluído com a brevidade possível, por forma a permitir que sua execução seja integrada na empreitada em curso.

A Infraestruturas de Portugal mantém um forte empenho na execução do projeto de Modernização da Linha do Oeste.

A concretização deste projeto representará enormes benefícios para as populações que terão ao seu dispor um serviço de transporte ferroviário mais rápido, cómodo, eficiente e seguro.

Esta dedicação na realização do projeto compreende também uma grande disponibilidade para envolver e esclarecer as populações e seus representantes locais.

Desde o início do lançamento dos estudos prévios que a IP tem vindo a trabalhar em colaboração com a C.M. de Torres Vedras, promovido diversas reuniões técnicas e sessões de esclarecimento com o objetivo de responder a todas as questões e dúvidas colocadas.

Um trabalho conjunto que tem vindo a ser realizado e assim continuará tendo em vista a definição das melhores soluções que se adequem às necessidades das populações da região.

IP